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Este Artigo foi publicado em um site especializado em telenovelas e teledramaturgia. Eu o reproduzo para que os amigos também tenham acesso. Boa semana pra todos! Na próxima semana reproduzirei o artigo sobre "Espelho Mágico".
E a vilã se tornou heroína...
Por Marcos Mazzaro
Quando em 1976, estreou Anjo Mau, primeira novela de Cassiano Gabus Mendes, eu estava entrando na adolescência. Pouco sabia sobre a tragédia e seus heróis. Pouco compreendia o Acaso, a Vida, que nos traspassa com violência e doçura. Também não tinha maturidade para entender que a ética do amor e do desejo é bem outra. E que os deuses cobram de todos, especialmente daqueles que vão além.
E o que fez Nice, a babá loura de Anjo Mau, tão bem interpretada por Suzana Vieira? Ela deseja o amor de Rodrigo (José Wilker) seu patrão. E não mede esforços para conquista-lo. Como um (anti?)herói vai removendo obstáculos que impedem seu objetivo. Primeiro o separa de sua noiva, Paula (Vera Gimenez), fazendo com que o patrão perceba que Ricardo ( Otavio Augusto) é apaixonado pela quase cunhada. Depois, embrenhada no cotidiano da família, vai separa-lo também da doce Léa (Renée de Vielmond), usando José Carlos (Mario Gomes).
Mas a trama não pára por aí. É curioso, o carisma da babá que cuida do filho do tumultuado casal Stela (Pepita Rodrigues) e Getúlio (Osmar Prado). Aqui o tema é o ciúme doentio da mulher, sempre desconfiada do marido. Até porque ele tem uma vida “misteriosa” que depois será revelada. Na verdade, ele tem uma família humilde e esconde de todos suas origens. Marido Ideal, com Evinha sonorizava os acessos desconfiança da tresloucada personagem de Pepita Rodrigues.
Nice se embrenha no cotidiano da família Medeiros e se torna quase um deles. Aos poucos atinge seu alvo. Quando Rodrigo flagra sua amada Léa com José Carlos, irmão de Nice, o circuito está fechado. Ele está pronto para se consolar nos braços da empregada. Rodrigo é outro herói ferido, para o qual sempre será negada a possibilidade de amar: as duas mulheres que o interessam, supostamente o traem. Desse modo, a quase vilã, conquista o patrão e lhe anuncia uma gravidez inesperada. Em seguida, porém todas as suas tramas são desmascaradas.
A última semana da novela, é a mais envolvente. Rodrigo se nega a perdoar Nice. O tempo passa e ela está prestes a dar a luz. A balada Blue Dolphin executada por Steve Schalks dá um tom de clip às cenas. Aos poucos o casal se reconcilia. Nice tem o bebê. Mas morre devido as complicações do parto e imposições da censura. Pois é. Os censores não admitiam que um “vilão” não fosse punido. Tal fato, produziu, ironicamente, uma das cenas mais comoventes da televisão brasileira. Mais ainda. Trouxe para o expectador a real dimensão da tragédia e dos heróis nelas envolvidos. A vida não reserva finais felizes. Mas é necessário continuar... continuar...
Escrito por MARCOS MAZZARO às 11h19
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