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Em busca do Tempo...Perdido?
Texto: Marcos Mazzaro
Não sei porque hoje acordei com uma música do Renato Russo buzinando meu ouvido. Esse “temos todo o tempo do mundo” ficou repetindo, o conhecido refrão de “Tempo Perdido”, que eu ouvia nos anos 80. Naquele período, quando cursava a ECO e estava dando os primeiros passos pra me tornar o que sou hoje. Naquele tempo a gente saia pra gritar por “Diretas Já”! Ou então absolutamente alucinados invadíamos o diretório acadêmico pra exigir também participação na Universidade.
Foi uma época de grandes paixões. Também pudera! A maioria das descobertas eu faria no ano seguinte, no Rock`in Rio. Naquele janeiro fervilhante, quando pela primeira vez encarei que o desejo tem tantas facetas quanto os diamantes brutos. Mas sem saudosismos. Era tudo também muito confuso. Mas olhando para trás vejo um Caos produtivo. Eu respirava Nietszche! E todos diziam que eu iria enlouquecer. Ah...quem dera estivesse enlouquecido antes...
Eu prometi e to cumprindo...Naquelas tardes quentes dos anos 80, exatamente nos anos de 84 e 85 observava uma garota que andava com um grupo de meninas, aparentemente bem caretinhas. Ela usava óculos. O que dava aquele ar de inteligência e intelectualidade. Mas eu só a observava de longe. Subitamente, ouço Hebert Vianna cantando a melodia do hit “Óculos”: Por que você não olha pra mim?...Me diz o que eu tenho de mal...Por trás desta lente tem um cara legal...” Puxa... eu também usava óculos! E não ousava me aproximar dela. Assistíamos os trabalhos um do outro. Era um grupo loucamente bom aquele da ECO. Mas com as esquisitices de quem tinha acabado de sair da adolescência.
Chegamos a fundar um grupo de teatro e dar os primeiros passos num texto que nunca esqueci: “Longa Jornada Noite Adentro” de Eugene O `Neill. Naquele tempo, perdido nem um pouco, pois o sinto agora, visceralmente, eu amava Edmund, o personagem que experimentara a liberdade num convés de um navio. Ele... sabia olhar para o Mar. Depois eu provei o amor em outras faces e fases, o amor da “Lira dos Vinte Anos”. O beijo revolucionário que acordou um mundo que ainda dormia. Um beijo terno entre dois homens.
Mas nós, eu e esta moça, não estávamos dormindo. Éramos, digamos, latentes. Esperando vinte anos para nos encontrarmos em uma amizade sincera e gratificante. Que cada vez se solidifica mais quando sentamos para colocar as novidades em dia, apesar de nossas vidas atribuladas.Tempos atrás falamos de amores distantes e eu, que acabo de fazer um vestibular, que acabo de me sentir imerso naquele tempo, por algum mecanismo inexplicável sinto a energia do Amor no ar. E quem sabe não será por alguém de longe e que esteja prestes a chegar. Alguém da terra de Renato Russo, de uma Legião Urbana que nunca vai calar... Sentimentos desabrocham na gente como uma rosa. Sutilmente. E exalam um doce perfume até mesmo nos dias nublados...Somos traçados por eles. De repente se manifestam quando menos esperamos. Tentamos nomeá-los em vão. Por que simplesmente eles são. Daí que músicas, imagens, ventam na gente...ampliam nosso espaço, nos tornam maiores e mais livres. Nos tornam conscientes do que somos. Sem tentar dar nomes_ o melhor é sentir (e respirar) o aroma da Vida.
Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h35
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