Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, BOTAFOGO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Arte e cultura, Música, Moda
MSN - marcoslogin2005@hotmail.com



Histórico
 15/11/2009 a 21/11/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 04/10/2009 a 10/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 12/07/2009 a 18/07/2009
 31/05/2009 a 06/06/2009
 19/04/2009 a 25/04/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 08/03/2009 a 14/03/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 25/01/2009 a 31/01/2009
 11/01/2009 a 17/01/2009
 04/01/2009 a 10/01/2009
 09/11/2008 a 15/11/2008
 12/10/2008 a 18/10/2008
 05/10/2008 a 11/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 03/08/2008 a 09/08/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 20/01/2008 a 26/01/2008
 23/12/2007 a 29/12/2007
 02/12/2007 a 08/12/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 16/09/2007 a 22/09/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 03/12/2006 a 09/12/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 30/04/2006 a 06/05/2006
 26/03/2006 a 01/04/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 05/02/2006 a 11/02/2006
 29/01/2006 a 04/02/2006
 15/01/2006 a 21/01/2006
 08/01/2006 a 14/01/2006
 01/01/2006 a 07/01/2006
 04/12/2005 a 10/12/2005
 27/11/2005 a 03/12/2005
 06/11/2005 a 12/11/2005
 30/10/2005 a 05/11/2005
 16/10/2005 a 22/10/2005
 28/08/2005 a 03/09/2005
 21/08/2005 a 27/08/2005
 07/08/2005 a 13/08/2005
 24/07/2005 a 30/07/2005


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


DIÁRIO DE UM ESCRITOR
 

Só por Hoje...Helena

(Parte I )

 

Texto Marcos Mazzaro

Foto: Tiago Bianchini

 

Ela nunca esquecerá aquele longo dia e também a noite misteriosa que o precedeu. Nem tampouco o pesadelo que a despertou aos prantos. Eram imagens confusas de homens em guerra, de corpos esquartejados, de gritos de dor de uma nitidez apavorante. Ela, no centro da batalha com as vestes rasgadas, suplicava perdão. Nem dava também pra ignorar a imagem do mar e o som estrondoso das ondas batendo na praia de Ipanema, num dia de ressaca invernal.Aquela paisagem, que sempre procurava como fuga nos dias ensolarados de verão, era sinistra.

Na sala, para onde Helena correra desesperada e num ato louco abrira a janela, estava o marido, estendido, nu, jogado como um objeto de mobília que não combinava com o todo da decoração. A cena mostrava a decadência de sua vida, de seu casamento, daquilo que um dia julgara ser felicidade. Angustiada se dirigiu para a cozinha, preparou o café da manhã e o esperou acordar. O jovem (e precoce) vice- presidente de uma das maiores empresas de navegação_ ele acabava de fazer 30 anos_ há muito não se deitava com a mulher. Chegava bêbado e drogado pelas madrugadas.

Quanto a isto ela nem se importava. Conhecia bem o ambiente que freqüentava. Tais atitudes eram quase sociais e de uma naturalidade espantosa. E se hoje se abstinha era muito por uma necessidade de equilíbrio, de paz, que vinha buscando havia alguns anos. Mas o marido não acompanhava tal transformação. Aos poucos só ficava a distância e a repugnância que não sabia a exata origem. Afinal ele ainda era o sonho de consumo de muitas adolescentes e socialites do Rio.

Ele se levantou calmamente. Beijou sua boca e foi se preparar para o trabalho. Em minutos estava vestido, barbeado, perfumado. Era admirável sua eficiência, mesmo após a noitada: um executivo atípico, pós moderno as avessas. Acordava cedo. Gostava de ter tudo sob controle pela manhã. Depois do meio dia ia pra academia, suava, e retornava à empresa. Saia de lá tarde da noite. E não eram raros os convites para festas regados à champanhe e outros aditivos.

Um outro beijo, agora mais longo, envolvente. Helena sentiu novamente a vertigem que amolecia seu corpo quando se conheceram há 10 anos. Quando Menelau saiu e bateu a porta aquela sensação antiga, quase ancestral, a conduziu pra janela da sala novamente. O mar estava ainda mais zangado. Ondas poderosas pareciam respingar no calçadão da Vieira Souto. E o Morro Dois Irmãos coberto de nuvens poderia bem ser o Olimpo pleno de tensões, desejos e jogos de poder.

De longe ela podia ver...Um grupo de surfistas em plena algazarra no quebra mar, apesar do perigo. Um em especial cavalgava as ondas e as desafiava. Era um embate sublime entre a Vida e a Morte. Uma cena tensa e ao mesmo tempo encantadora que, na sua singularidade, revelava a possibilidade de um mundo mais iluminado.



Escrito por MARCOS MAZZARO às 11h23
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]