Retornos
Texto Marcos Mazzaro

Partícula desintegrada,
a Vida em si,
escapa pelas mãos,
me parindo a
cada segundo.
E nas suas divisões intermináveis.
Mergulho.
Olho para os outros e sinto o fogo que os devora.
Olho para Ele
e engulo em seco a fissura que me trai.
Sempre volto ao mesmo ponto...
Aquele em que meu corpo procura outro corpo.
O que fazer com os de repentes?
Porque há sempre algo escondido
que escorrega...
Foge como bicho assustado.
E ressurge inesperado.
Tenho uma floresta cheia de feras que gritam ao meio dia em ponto.
De vez em quando me dou e não derramo lágrima.
As linhas da mão somem.
Fico sem Destino.
De vez em quando...
Repetição.
(Novamente é meio dia!)
Ouço os sinos de uma catedral em Ipanema.
E as curvas da cidade fazem silêncio por dois minutos.
Os corpos suam.
Se esforçam pra se construir.
Se moldando
enamoram a si mesmos.
O mar na Praia do Diabo
tira uma casquinha dele...
Ele era a Beleza brotando aos dezesseis.
Transformação_
a maresia
salgada
respingando Nela,
chega até mim,
me arrepia a pele,
e retorna para seduzir o Oceano.
Escrito por MARCOS MAZZARO às 22h34
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Delírio Corrido
Texto : Marcos Mazzaro

Não tenho medo do Outro. Assusta o que sou: ânsia ainda germinal. Amedronta o confronto. Luto contra fragmentos.
Detonado. Minha existência é fagulha espalhada em cimento. Sou duro rocha pedregulho grão de areia. Sou não sou. E tenho sede.
Me diluem na pressa. Como posso ser? Estou sempre fuçando, buscando, frestas de mistério.
Hoje encontrei o coração selvagem da mulher. E ele sangrou. Suas batidas cada vez mais fracas emudeceram pouco a pouco.
E da morte dela, sorrateira amiga, se fez enorme estardalhaço.
Mas ela não morreu. Ameaçou e não cumpriu a palavra.
Gosto dos contornos Dele. Amo quando o espelho lhe revela. Sinto-me vivo quando grávido de mim mesmo.
Minhas crianças _amantes_ saem pipocando pelos parques de diversão. Cada gota de sangue dele, coração selvagem da mulher, se transforma em outro ser. Como ela, como eu: mirabolante.
Não tenho medo do outro. Tento em vão captar Miragens...
Lá no coração selvagem dela, dele, lá nas grutas misteriosas, calado fico pronto para o golpe fatal.
Desejo insano...
Quero morrer.
Dê...
Parto.
Escrito por MARCOS MAZZARO às 21h58
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“É noite, agora eleva-se a voz das fontes e a minha alma é também uma fonte...”
(Nietszche)
Canto do Baile (Abandonado)
Texto: Marcos Mazzaro

A luz no ápice do declínio suspira.
Foram noites de palavras, palavras e palavras sobre o chão do Pelourinho.
Noite misturada com manhãs,
Noite de amor com as águas,
com os moleques que jogam capoeira,
na areia.
Noite.
de encontro
com os Orixás.
Noite.
Estação do Dia, das 24 horas contadas.
Alguém me joga no fluxo.
Um outro me detém...
Por isso, escrevo debruçado no parapeito da janela, olhando para o mar.
Escrevo de mim mesmo.
Estou preso a um corpo que tem que se acostumar...
Me detenho e me jogo nos abismos.
Ensaio movimentos.
Me contenho e me lanço... Pois é noite...
A dança interminável de sensações parece brinquedos.
O que inebria também angustia porque se sabe instante.
Salvador.
Tento lhe devorar.
A Roda da Fortuna gira, Impassível.
E meu encanto, condenado a sorver as horas...o Tempo...
Dança.
Ávido de Eternidade.
Escrito por MARCOS MAZZARO às 08h36
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