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DIÁRIO DE UM ESCRITOR
 

Erótico

Texto Marcos Mazzaro

 

 

Nada me sacia. Só a boca macia, aveludada, de uma imagem diáfana e carnal. Cultuo a beleza e o cheiro e a forma. A Lua uiva. Mas são os cães gemendo, os gatos no telhado, os bichos encantados. A noite tem estrelas. Muitas. E o desenho Dele enquadrado na moldura da janela bem poderia ser um Renoir ciber eletrônico digital. Ele está nu e acordado ainda. A pele brilha em alta definição. Mas o que mais me excita, o que mais nos faz próximos, é o  que ele exala. Algo natural  vem da pele bruta. E Lapida  meu Diamante.

Não consigo resistir ao apelo do que paira no ar. É belo demais e pede para ser tocado, engolido, devorado. E não resiste. Nos meus braços se desmancha quando o pego por trás e o invado pouco a pouco, com a calma de um Lord. 

Ainda emoldurado  pela janela posso agora me ver e sentir nós dois, juntos. Como se me transportasse pelas dimensões em um instante mágico.  Meu corpo levita e a alma suspira quando lá, possuindo seu maior bem,  ouço seu gemido e o corpo desaguar. Anjos devem ter passado por ali, incensando aquele instante, pleno: era o gozo puro, o vinho seco, o aroma apimentado, e um deus misterioso, lá das profundezas tudo regendo e ao mesmo tempo, consentindo.

Ele dizia Amém a cada estocada, ele rezava e oferecia sua boca seguindo como numa dança o movimento combinado dos corpos suados. E dizia que me amava. E eu acreditava, embebedado por cada gota do instante que escoava. Absinto. Tudo transpirava. A temperatura era quente e aconchegante. Um vento parecia enlevar os corpos, agora sem espaço, sem limite, sem roupas, sem nada.  Deixei meu corpo se entender com outro corpo, segui o conselho do maior poeta, Drummond. Deixei sim. Porque os corpos se entendem  mas as almas não.  Até mesmo quando tudo é apenas Sonho...

Hoje Acordei Lambuzado de Nós... e senti ainda o cheiro da manhã chegando de longe, do  Centro Oeste brasileiro, com gosto de moleque travesso.  Cerrado.

 

 

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h43
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Após as Festas... Nada Como Um Dia Após o Outro

Texto Marcos Mazzaro

São seis horas da manhã. Um pesadelo me acorda com imagens estranhas. Uma carranca parecida com a de um Tubarão me ataca. Como naquele filme de suspense barato, hollywoodiano, da década de 70. Uma imagem trash tira o sossego do sono. Mas já tem um tempinho que não me impressiono com os supostos pesadelos. Imagens são imagens. E se dissolvem no ar rapidamente. Seja pela luz, seja pela escuridão. Basta um dia após o outro de sensações.Somos Imagens e, (?) portanto, nos dissolveremos também um dia. Essa afirmação controversa_ vai ter gente protestando aos borbotões!_ diz muito deste nosso mundo pós alguma coisa.

Não vou falar pós-moderno. Putz! Falei! Se é inevitável dar um nome...Assim seja. Tentamos nomear tudo. E transformamos o que nomeamos em Imagens. Achamos Feio ou Bonito. Estabelecemos gostos. Mas o mais interessante é que o Universo não está nem ai para o que apreciamos ou não. Seja ânsia, aversão ou até indiferença para a Vida,  ou seja lá o que nomearmos_ olha o problema do nome novamente!_ tudo continuará em Movimento. Estrelas desaparecem e surgem a cada segundo. Mundos são extinguidos e recomeçam a cada milionésimo do tempo, a cada piscadela. Mas aqui na Terra, neste planeta lindo e feio acreditamos ser privilegiados. Somos A Espécie! Somos? Choramos a perda e a transformação mas é só desse Real (?) mutante que conseguimos extrair o suco da Vida. Neste mundo de imagens, palavras e coisas inomináveis_ que tentamos transformar em Imagens_ cultuamos de tudo um pouco, sem medo de contradições e paradoxos. Bom...pelo menos esta vantagem. (?) aparece no nosso horizonte nebuloso.

Se acessamos a Internet assistimos um enforcamento ao vivo. Também podemos apreciar a vida íntima e os corpos de celebridades ou de anônimos que se oferecem para o deleite dos olhos curiosos. Viajar pelo mundo hiper realista,  surrealista, hiper fantástico, tridimensional etc e tal pode ser possível.  São tantas probabilidades do jogo num link que nos estonteamos. Só esse deslumbramento pode prender uma Vida inteira.

Conheço gente que fica excitada a cada avanço high tech e que vive para se atualizar sobre as “novidades”. Conheço outros que ficam horas e horas no computador  falando com pessoas que provavelmente nunca vão ver ao vivo. Preferem a web cam. Conheço pesquisadores ávidos, artistas convulsionados por tanta parafernália, escritores que não sabem pra quem mandar suas idéias, médicos deslumbrados, gente comum que viram madrugadas nas lan houses procurando mais informação. Tenho amigos viciados em jogos,  seduzidos por imagens, eles necessitam de um corpo por dia para saciar osdesejos que brotam na ansiedade. Neste mundo de Imagens tudo parece Sonho. E o pesadelo próximo de nosso sonho banal nem nos faz mais cócegas. Mas Será só Imaginação?  Ou seja, Imagens em ação? Difícil responder. Até o reveillon de fogos pipocando, de multidão aglomerada, de gente orando aos pés do Cristo Redentor, de corpos suados em Ipanema absolutamente entregues ao transe do som. Até esta profusão de acontecimentos são só imagens agora. Imagens se transformam em imagens. E depois, Nada e Absolutamente nada. Como nos anos anteriores_ e podem me chamar de retrô ou saudosista se bem que não sou._ continuo com sede e fome de Real. Com R maiúsculo mesmo. Quero o Real com todas as suas contradições. O Real que é Vida, me dando na cara, a cada instante. O Real que imprime na pele, que sangra, que dói e que também faz gozar. Vou começar brincando com as Imagens que citei.

Vou brincar de quebrar espelhos e dar uma boa mordida em uma maçã suculenta como nesta da figura. E depois... bem... Deixa Chover! 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 13h35
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