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Acaso, Destino e Origens
Texto Marcos Mazzaro

O acaso é força estranha. Que une pessoas afins. Assim acredito que ao longo desta caminhada venho encontrando pessoas e situações que me levam a acreditar em uma mão invisível que conduz os Destinos. Talvez tenha sido inexplicável brotar em terras paulistanas, um quase cerrado de São Paulo. Talvez também o mundo brincasse quando moleque eu jogava bola de gude em uma ilha no meio do Rio Paraná. Ou ainda quando, pelado, me jogava no Rio Paraná, deixando o mar distante ainda doce invadir o corpo ainda surgindo, se descobrindo.
Ah... vivam as coincidências! Os acasos! Foi através deles que, aos dezesseis, resolvi seguir a estrada, movido ainda pelo encantamento da televisão, da dramaturgia e do Rio de Janeiro que acenava como uma grande possibilidade de crescimento. Dei muitas voltas, menti para mim mesmo, dizia que iria ser engenheiro mecânico. Mas em um momento mágico, fazendo ainda engenharia, passei num teste para a companhia de teatro da Universidade e lá estava eu, me descobrindo, me fuçando, cheio de vida.
Ávido de viver, como ainda hoje. E fundamental foi ver tudo acontecer: textos como o Assalto, Dois Perdidos Numa Noite Suja, O Beijo da Mulher Aranha. O Santo Inquérito e eu realizando Pedro em A Invasão, de Dias Gomes. Esse Mar de informações parece hoje brincadeira. Mas foram eles que me chamaram, me cativaram, para muitos anos de jornalismo e dedicação à palavra.
E a Vida! Eu me inspiro nela! Ela me foi levando por caminhos misteriosos. A grande trajetória de se tornar o que realmente somos. É ela a gota de orvalho que seca as primeiras horas do dia, ela, qual bolha de sabão, que me dá vontade de continuar sempre. Dia desses estava em uma festa. Circulando. De repente me encontrava comigo mesmo.
Um olhar para o passado, presente, presente de Yemanjá, me chamou atenção entre um ou outro lance de escada. E o sorriso, aos dezoito, era quase o mesmo refletido num espelho visceral de anos que se foram. Nos chegamos. Nos aconchegamos. Nos falamos.
E tínhamos as mesmas origens: o cavalo a pêlo montado. O prazer de deitar nas costas de um bicho alado e ver o mundo de cabeça pra baixo. E o ar seco da cidade, misturado com o orvalho da manhã, se diluindo no inicio do amanhecer. Ou a geada fininha que a gente gostava de pegar com os dedos. Talvez nas minúcias surja as Origens do Amor.
O mundo invertido me cativa. A Beleza que vai salvar o mundo me conduz. E eu? Aos quarenta e poucos... continuo buscando. Ih... achei!!!?
Escrito por MARCOS MAZZARO às 00h04
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