AMORES

Texto Marcos Mazzaro

Sabem porque só o Amor vence a Morte? Porque a dor do Amor é imensamente maior do que a Dela, essa companheira sinistra que nos acompanha um dia após o outro. Sim. O amor que nos dá asas e nos lança no mar de alegrias nos poda, nos soterra, nos mata, porque avisa sempre do Fim. Ser conduzido por Ele,significa entregar-se totalmente à Vida, sem medos, sem traumas, sem frescuras. Amar e ser Amado implica numa fusão completa nesse misterioso Mar primordial, Indomável e indizível.
E enquanto humanos ousamos navegar nesse Mar. O humano sempre abraça a Esperança de um Dia melhor.
Mas a transitoriedade do Todo avisa-nos sempre. Tudo acaba. E é preciso ser heróico para enfrentar com dignidade as tempestades. Esse deserto de águas por todos os lados. Principalmente na noite.
A maior angústia de quem navega. (E disso sei. Não sou marinheiro de primeira viagem) é aquela que surge na madrugada, no navio silenciado pela escuridão total, somente guiado pelas Estrelas. E em algumas noites_ nem todas_ pela Lua. Só a certeza do Amanhecer pode abranda-la.
É estranha a Lei da Vida. Já nos avisa uma contagem regressiva imanente. Pois quando partimos de um porto supostamente seguro só sabemos da rota se olharmos para este Céu de Mistérios.
Quem ousa Amar carrega a crença na Vida. O Amor nos faz crer que navegamos para algum lugar, é justamente, por ironia, desperta a fé em Eros, esse Deus que o Todo Une mas que não anuncia a hora, nem de chegada e muito menos de partida. Os gregos sempre sábios acreditavam em Eros como um moleque travesso e imprevisível. E talvez esteja ai o seu segredo. Ele também existe para que esqueçamos o dia e a hora marcada no relógio do tempo que nos dará fim.Com Eros podemos brincar de existir e descobrimos que no fundo tudo se torna jogo do Tempo.
É encantador olhar o nascer do Sol. Pois ele contém em si, o mistério da Noite, parceira inseparável. Alguém me disse uma vez que ao Meio Dia começa a Noite. E que a Madrugada, anuncia um novo dia. Algo grita desesperado.Quem sabe esta criança travessa. Ela procura estrelas no brilho de um outro olhar. E acha.

Escrito por MARCOS MAZZARO às 19h10
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