Décima Primeira
Texto Marcos Mazzaro

Sou do Contra. Sou Movimento, Desejo e Perdição. Do contra! Leve, levo vida e morte num segundo. Levo, leve morte e vida pro espaço. Sou dos contrários! A Eternidade que se conquista com Encanto. Sou e não sou: percorro os corpos e copos. Aprecio bom vinho e sangue. E coloco a boca em tudo que é saboroso e proibido. Sou sem ser sendo, deuses, deus e satanás. E respiro o suspiro do Gozo e da Morte.
Sou a Mentira. Onde querem Imensidão eu sou o Nada. Onde querem Amor eu sou Discórdia. Onde encontram a Guerra eu sou Prazer. Vou contra o vento e para o Vento. Sou filho da Senhora das Tempestades. Sou não sendo porque já fui sem ser.

Dos contrários: Quando Amo estou querendo ser Odiado. Quando dou estou querendo ser machucado. Quando choro, ávido de dengo me rasgo. No nascimento, estou a um passo de ser abortado. Sou do contra e Encrenqueiro!

De Sexo, Fogo, Luz e Trevas sou formado.
Empunho bandeiras pelo mundo.
E desejo deixar meus Marcos!
Sou do Contra.
E Avesso na Aversão e Comunhão.
Sou a fusão dos corpos enjaulados no Desejo.

Sou do Contra!
Solidão: faço festa com um copo de cerveja.
Sou Areia, sou deserto, sou a Mina nunca achada.
A NegraMina. Avermelhada cor de Sangue correndo pro Mar...
Sou o Mundo.

Eterno que foge por ser Distante.
Sou sem SER...
Brilhante e Fugaz!
Quem tiver ouvidos que ouça.
Quem souber tocar que me dome.
Quem descobrir o Segredo...Que me tenha por inteiro.
Sou Abusado!

Escrito por MARCOS MAZZARO às 20h16
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Mosaico Delirante e Maria Bethânia
Texto Marcos Mazzaro

Teu crepúsculo arde numa sala espelhada por todos os ângulos e você se consome de cólera. Mas por que? Não seria este o teu maior sonho? Se arder numa sala espelhada onde só se veja o crepúsculo? Você se arde intranqüilo e projeta o resto de teu calor para que o sol eternamente caia. Para que teu poente seja um eterno arder...
Mas vejam só que te pregaram uma peça e você percebe tuas vozes...é... aquelas que você sempre escondia debaixo da cama, atrás dos armários, sem a menor piedade. Te angustia elas que gritam no teu ouvido. Teu crepúsculo arde e tua chama angelical atravessa o espelho de tua existência, agora perturbada.
Tua chama angelical te abandonou a mercê de tuas vozes mesquinhas e eis que se inicia tua decomposição. Como vermes tuas vozes vão devorando o teu crepúsculo eterno. Vão comendo a garfadas as ilusões. Tuas vozes gritam no teu ouvido. E é pelo simples prazer de saber que estás sendo devorado. Não há saída. Não adianta fugir com seus espelhos. Não adianta se fantasiar para o baile de máscaras. Restaram apenas Reflexos.

“Eu vou te contar que você não me conhece. E eu tenho que gritar isso. Porque você está surdo e não me ouve. A sedução me escraviza a você. Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que criei e não a mim. E não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa. Você não tem um nome . Eu tenho. Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções. Mas a mentira da aparência do que eu sou e a mentira da aparência do que você é. Por que eu, eu não sou o meu nome e você não é ninguém. O jogo perigoso que pratico aqui ele busca chegar ao limite possível de aproximação. Através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a noticia que nos separa. Eu quero que você veja a mim. Eu me dispo da notícia. E a minha nudez parada te denuncia e te espelha. Eu me delato. Tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim me livro das palavras com as quais você me veste... Eu sei que tenho um jeito meio estúpido de ser e dizer coisas que podem magoar e te ofender”.(Introdução a Um Jeito Estúpido de Te Amar, by Maria Bethânia)
Hamlet:
O Gozo é um Crime ou o Crime é um Gozo? Eis a questão...
Escrito por MARCOS MAZZARO às 14h34
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