O Atraso da Primavera
Texto Marcos Mazzaro

Quando cai a chuva e os trovões gritam um após o outro algo nele se conecta com Deus.
Tal força presente no cair das águas, nos ruídos das folhas balançando, no vento que parece querer lhe levar para algum lugar desconhecido...
Nesse momento ele se sente como se a ausência o tomasse num repente
e lhe conduzisse ao Paraíso. Mas todos sentimentos se esvaem em um segundo.
Uma vez Ele acordou na madrugada e viu da janela... Choviam pétalas de rosas do céu.
Um cheiro adocicado no ar parecia impregnar todos os corpos.

Outras noites foram despertadas por navalhas abertas e afiadas...
Prontas para penetrar.
No Vazio.

Há qualquer coisa de Morte que traz o Gozo.
E é neste subsolo, silencioso de mim mesmo, que me deixo Sonhar para poder Renascer.
Em um destes devaneios fui acordado pelo estrondo da Guerra.
De uma hora para a outra alguém anunciou o fim do planeta.

Mas...Em algum lugar sinto AINDA que Tudo Pode Ressurgir.

Neste dia uma criança salvou um bicho abandonado na rua e o levou para sua casa.
A mãe ralhou, resmungando o absurdo da cena.
Mas no fundo o coração pedia para ela cuidar daquele ser frágil, arrepiado de frio.
Os animais embrulhados em uma caixa de sapatos forrada com uns panos velhos suspiraram.
Sentiam-se finalmente protegidos.

Neste instante uma lufada de gratidão em direção ao mar percorreu os cômodos daquele quarto e sala.
E o silêncio reverberou.
Pulsando na ternura.
Descobri um pós-transcendente. Um Pós que lava o corpo e a alma.
Uma Ave Rara.

A arejada Primavera de meios tons (harmônica) chegou acanhada.
Estava atrasada para abençoar com um leve sorriso os Amantes da Vida!
Escrito por MARCOS MAZZARO às 14h10
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