A QUEDA PARTE 7 (ENTRE UM BEIJO E OUTRO... ENTRE UMA PEÇA E OUTRA DE ROUPA QUE VAI PARA O CHÃO, DESNUDANDO-OS)  Naquela noite antes de amanhecer caiu uma tempestade. E quem se inundava afinal? Que água era aquela que despencava sei lá de onde e parecia ao mesmo tempo me inspirar, me renovar e me dar fôlego para continuar apesar de todos os medos e dúvidas? Sentia pela primeira vez uma espécie de fusão. E esta sensação me causou um enorme incomodo. A chuva que caia pesada, azucrinando minha alma, meu corpo, me forçava a olhar ainda mais para ele. Para aquele rapaz que envolto em lençóis parecia mais uma criatura vinda de outro mundo. Que não combinava com nada do cenário mundial, mundano, global, que tanto conheço. ( O Corpo Nu de Miguel. Ele se mexe entre lençóis) 
Ivan Escrevendo No fundo, no fundo, eu não sabia dar nome ao que sentia. Mais parecia que estava criando um roteiro, uma estória, um romance, algo que fosse do domínio da arte, de uma beleza que tentasse ultrapassar todas as vilanias humanas. Eu naquele momento estava inventando mais um amor para mim mesmo. Inventando para que fosse suportável aquela sensação de embriaguez que o corpo dele me provocava. E não saberia dizer se tudo o que sentia era conseqüência do final da bebedeira... Se tudo não passaria de pura volúpia sexual. O velho filme de uma noite intensa e fugaz de gozo que me arrebata desde a infância. Quando olhei para o corpo dele emaranhado nos lençóis, quando senti aquele cheiro de porra no ar impregnando as roupas espalhadas pelos quatro cantos daquele quarto moderninho, cheiroso e tão clean eu me recordava de poucas coisas. Mas de repente...Me veio a mente de um modo maldoso o exato lugar onde eu guardei o carro naquela noite. ...Em um estacionamento da Glória antes de decidir encher a cara e mergulhar naquelas sensações todas... Mas além da imagem do exato lugar de onde eu havia deixado o carro eu não conseguia me lembrar de mais nada. Miguel era um sonho. Que se evaporaria ao primeiro brilho do sol. E a luz começou a invadir aquele quarto. Como se um segundo sol estivesse invadindo as órbitas do planeta... Como naquela música...Eu me levantei fui até a janela e fechei as cortinas...  MÚSICA: BILHETINHO AZUL/ CAZUZA ( Transição) Ivan se levanta. Vai embora. Bate a porta. (CONTINUA...)
Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h58
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A Queda Parte 6
Da primeira vez que vi Miguel foi a uma visita que fiz a Universidade. Ele estava encostado displicente na escada de acesso. Eu tava atrasado para o debate Mas não pude deixar de olhar... Cabeludo... Barba por fazer. E os olhos vivos, flamejantes por causa de uma discussão com um colega. Ele tem um jeito de brigar pelo que acredita que nunca vi na geração dele... Você tem fogo? Eu não fumo...Mas tenho um isqueiro aqui. Pode Ficar com ele! XXX 
Da segunda vez que eu vi Ivan... Foi na madrugada da Lapa Vazia e Selvagem... Ele estava completamente embriagado. Eu me preparava para entrar no meu carro. O que me tocou, o que me emocionou naquele quase cinquentão? Era talvez a bebedeira que escondia a fragilidade de uma criança... Acho que senti por ele desde o início uma espécie de compaixão. Eu te conheço! Um tempo atrás você me deu um isqueiro! É verdade! Você é o escritor de minisséries...Eu sou Miguel. Naquele dia não me apresentei. Você tem idéia do que é esquecer o lugar onde você deixou o carro depois de umas biritas???? Talvez...Você vai tentar achar o seu carro ou...? Um desespero, uma carência urgente, um transe. Me leva pra sua casa... Me leva pro seu ninho...Me leva pro seu esconderijo...Me leva pro céu...Me leva... Você é engraçado cara...Mas ok...Vou te dar um berço hoje... XXX Qual o gosto de um beijo roubado? Depende Eu vou te dizer... Um beijo roubado é como uma vertigem que antecipa uma queda... Por que? Porque quando a gente está pra mergulhar no desconhecido dá tontura... A gente esquece tudo. Até onde deixou o carro... Até o horário marcado com a mulher, com os filhos... Eu me lembro que a Marta me pediu algo para as crianças... Mas eu não sei dizer o que foi... Sempre foi assim? Sabe que eu não sei? Eu nada sei... Tenho um bicho dentro de mim que vai me guiando e que só sabe deixar rastros... Rastros? Sim. Rastros...Eu peguei uma estrada mas não consigo retornar. Não sei qual é o caminho de volta...Eu marquei minha trajetória com pedaços de pão... Só que os pássaros e os animais comeram as pistas que podiam me mostrar o retorno pra mim mesmo... Mas quem consegue? Todos nós marcamos a nossa estrada com coisas perecíveis... Até as pedrinhas... Se você pensar melhor não garantem um caminho de volta. Elas se parecem muito e podem confundir. Ou o vento, as chuvas, as tempestades podem tirar o que a gente colocou no lugar com tanto cuidado... Quando você olhar...Elas não vão estar lá. São anos tentando ser e agir dentro de um esquema que desconheço... A Marta... Meus filhos...Nem sei se deveria falar agora...A impressão que tenho é que não estou lá... Que tenho necessidade de outro espaço e tempo... Eu preciso respirar...
UM BEIJO DE PERDER O FOLEGO...
Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h40
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