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DIÁRIO DE UM ESCRITOR
 

 

As Manhãs De Setembro

Texto: Marcos Mazzaro

 

Estão chegando as manhãs de setembro. O céu ta azulzinho.

E o ar nem frio nem quente tempera os corpos.

Amanhecer é bom. Particularmente quando durante a noite anterior anjos e deuses

dormiram com ele realizando desejos.

Eram por volta das seis quando espreguiçou acordado por seus felinos.

Olhou no espelho, deu um berro de Bom Dia para o mundo, tomou um banho, se barbeou

e foi ajeitar a bagunça do dia anterior: a louça, o chão, a sujeira dos bichanos, a ração, a água.

Olhou-se no espelho e gostou do que viu. Apesar da zona sentiu na pele o arrepio da felicidade.

Mas não pense que havia algo de especial acontecendo. Nada disso.

Era só o frescor da brisa batendo, era só a sensação de estar vivo, era só a contemplação

dos seus animais felizes olhando para o seu rosto

ainda inchado de sono chamando para brincar de viver.

Era só jogar um ratinho de brinquedo para o alto e pronto!

Quatro felinos o disputavam como se fosse caça de carne e sangue aquele objeto.

Mas tudo terminava em festa. Com miados, chiados e um ou outro rosnado

mais agressivo de quem provavelmente levava o jogo à ferro e fogo.

Os pequenos felinos estavam lhe dando uma lição de vida naquele exato instante.

Levar tudo por demais a sério pode ser um problema e tanto.

Tornar o jogo da vida uma partida de vida e morte só pode trazer sofrimento.

(Os animais jogam. Os homens idem. Entre os mais selvagens o jogo é sério.

É questão de sobrevivência. E este quê visceral é pura poesia da existência.) 

O gato zangado havia sido excluído do jogo.

Rosnava tanto que os outros acabaram se afastando e foram achar um outro objeto para brincar.

Alguns minutos depois, porém, Yoda cansou-se de vociferar para os outros.

Curioso foi se aproximando do grupo que fazia

a festa com um pintinho de estimação de Prince o principal rival de Yoda...

Minutos depois era este o outro objeto alvo da disputa dos quatro e parece que o gato zangado

estava mais calmo, pois brincava com os outros despreocupadamente.

Teria aprendido a levar a vida com mais leveza? Talvez...

A curiosidade pode matar o gato? Com certeza.

Mas ela é também uma grande qualidade...

É ela quem dá abertura para continuarmos a jogar.

Assim são as manhãs de setembro...  Leves e sensoriais.

(É o amanhecer dos que se preparam para a primavera.

Ela chegará como em todos os anos lá pelos finais do mês e como sempre

pássaros e borboletas vão pousar nas janelas das casas e encantar os cenários.)

Os gatinhos estarão também lá entretidos com a abundância de pequenos animais

que se mostram provocando seus instintos.

Eles vão olhar os pássaros pousando na janela e nos telhados.

Vão resmungar um pouco porque são bichinhos de apartamento e não tem

a mínima possibilidade de capturarem pombos, rolinhas, andorinhas e afins... 

Alguém já observou o resmungo de um gato quando contrai as mandíbulas

impossibilitado de capturar sua presa? Ele fica ali, tenso, frustrado, e cheio de desejos.

Sim... Caro leitor... As manhãs de setembro são plenas de desejo. É tempo de caça e caçador...

É tempo de Amar. Mas também de brincar e brindar a Vida em todas as suas dezesseis dimensões...

Pois Tudo respira... Sentimentos. 

“Eu quero sair... eu quero falar... eu quero ensinar os meninos a cantar nas manhãs de setembro!” 

Mas este é assunto para a próxima crônica... 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 08h41
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Agosto o mês do bom gosto

Texto: Marcos Mazzaro

 

Agosto tem fama de bicho papão para a maioria das pessoas crentes ou não em uma natureza metafísica.

São conhecidos os provérbios populares: agosto, o mês do desgosto, agosto, mês do cachorro louco.

Outro dia logo no início do mês um amigo meu conhecido pelo seu otimismo chegou e

mandou sua previsão sobre os próximos trinta dias “Agosto me causa pavor”.

Era o início do mês. E estava atolado de questões para serem resolvidas.

Mas nas minhas crenças reservava para o mês anterior, julho, a causa de todos infortúnios.

Isto por conta de uma antipatia numerológica com o número 7.

No fundo uma grande bobagem. Nossa multiplicidade permite mesmo que sejamos tolos às vezes.

 

(Hoje descobri que quero ser tolo quantas vezes for necessário.

Quero rir de abobrinhas, ver o tempo passar.

Hoje descobri uma leveza sustentável capaz de planar entre os mundos...

Quero me surpreender... como uma gaivota.)

Então... Pela manhã fiz as pazes com o sete.

Quando li um compendio de numerologia entendi a seqüência lógica, pitagórica de existir...

É necessário um tempo pra alma se alimentar, respirar e contemplar o instante.

Este momento é representado pelo SETE.  

Pois que depois desta contemplação absoluta eis que o número seguinte nos dá outra tarefa:

Quadrado sobre Quadrado, Terra Sobre Terra. Concreto Sobre Concreto.

Inverta e conseguirá o infinito.

Agosto para mim também não era a época mais simpática do mundo,

mas por ter certa simpatia pelo oito criei para mim um propósito:

haja o que houver não vou culpar agosto.

E fomos que fomos.

Acabamos indo: Viajei para visitar a minha família em Presidente Prudente.

Estava com um trabalho engatado no Rio o que me impediu de prorrogar a estadia com meus entes queridos.

Quando voltei mais novidades. Sentia o cheiro de mudança no ar. Foi só acionar o start que boom!

A bomba explodiu. Ou implodiu? Porque todas as rupturas que se seguiram pareciam já programadas.

 

(Prefiro a partir de agora imagens poéticas. Prefiro olhar para os dias ensolarados de agosto.

Para o friozinho na barriga que dá quando atravessamos um portal.

Sinto no corpo o instante impressionista das catedrais de Rouen pintadas por Monet).

Nesta manhã acordei com a alma brilhando...

Neste final de mês de tantas tribulações senti um gosto adocicado na boca.

E o frescor dos ventos prenunciando as manhãs de setembro...().

 

“Eu quero sair eu quero falar... eu quero ensinar os meninos a cantar...

nas manhãs de setembro... nas manhãs de setembro... nas manhãs!”



Escrito por MARCOS MAZZARO às 19h28
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