CRONICA QUASE ZEN...( BASTA UMA TIGELA DE ARROZ) Texto Marcos Mazzaro  Hoje eu dormi toda a tarde como um bebê recém nascido... Dormi muito. Estava flor estava pele. E sentia o corpo embalado pelo Oceano de uma Pré-infância... Antes da minha existência. Hoje, Setembro Amanheceu nublado e as gotas de orvalho demoraram-se a evaporar. De alguma maneira contemplativo meus ouvidos se embalaram bem Cedinho ao som de Debussy. Não há tempo lugar certo pra se jogar. Há que sentir e deixar cada fragrância invadir a pele. Ou se lançar e flertar com O Caos do mundo.Quando acordei ele estava ao meu lado. A pele fresca, E os cabelos encaracolados, selvagens, os olhos levemente oblíquos com As marés de Capitu. Basta uma tigela de Arroz! ?
Sim. Basta uma tigela de arroz....Imagine que você tem na sua frente uma tigela de arroz, fumegante, apetitosa. E você a devora com a gula de quem realmente gosta de arroz! Mas sinta... Ela está por demais gostosa... Todos os seus sentidos se exaltam de felicidade. Então de repente você percebe todo o processo que se desenrolou... Até aquele arroz chegar até sua mesa. Alguém ensacou aquele arroz. E antes, um pouco antes pilou, tirou sua casca, deixou-o no ponto para que ele ficasse com esta aparência que você antes de comer tanto admira. Antes ainda... Muitas pessoas provavelmente prepararam a terra...Plantaram, colheram, armazenaram... Enfim... Para que este arroz fosse degustado por você com tanto prazer, muitos trabalharam... Sofreram... Suaram...Disponibilizaram tempo e energia pra que você tivesse esse momento de felicidade... Sim... Mas... E daí? Não percebe? Esse instante feliz está intimamente vinculado a eventos anteriores... Não necessariamente felizes... Não necessariamente prazerosos... Você seria capaz de imaginar como seria se todos que estavam envolvidos estivessem transbordando de prazer no que faziam? Percebendo o quanto meu raciocínio estava lento ele tocou com suas mãos o meu corpo. Parecia conhecê-lo profundamente. Arrepiava-me sua saliva, o beijo, sua umidade. A felicidade brotava no corpo que cachoeirava cascatas. Não era só o prazer físico que inebriava. Era toda uma Ancestralidade que tudo religava, um ritual profano e sagrado ali se desenvolvia na intimidade daquele quarto com cheiro de incenso. Então...Por um instante pensei: Sim... E se todos que trouxeram você até mim também sentissem parte desta alegria? E se todos aqueles que trabalharam arduamente e sofreram e suaram e...para aquela tigela de arroz estar ali... Sentissem por um momento que o Paraíso é aqui e agora e está dentro de nós? 
There is a somebody I m longing to see I hope that she turns out to be Someone who watch over me...
Escrito por MARCOS MAZZARO às 22h00
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