Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, BOTAFOGO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Arte e cultura, Música, Moda
MSN - marcoslogin2005@hotmail.com



Histórico
 13/12/2009 a 19/12/2009
 29/11/2009 a 05/12/2009
 22/11/2009 a 28/11/2009
 15/11/2009 a 21/11/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 04/10/2009 a 10/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 12/07/2009 a 18/07/2009
 31/05/2009 a 06/06/2009
 19/04/2009 a 25/04/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 08/03/2009 a 14/03/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 25/01/2009 a 31/01/2009
 11/01/2009 a 17/01/2009
 04/01/2009 a 10/01/2009
 09/11/2008 a 15/11/2008
 12/10/2008 a 18/10/2008
 05/10/2008 a 11/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 03/08/2008 a 09/08/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 20/01/2008 a 26/01/2008
 23/12/2007 a 29/12/2007
 02/12/2007 a 08/12/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 16/09/2007 a 22/09/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 03/12/2006 a 09/12/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 30/04/2006 a 06/05/2006
 26/03/2006 a 01/04/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 05/02/2006 a 11/02/2006
 29/01/2006 a 04/02/2006
 15/01/2006 a 21/01/2006
 08/01/2006 a 14/01/2006
 01/01/2006 a 07/01/2006
 04/12/2005 a 10/12/2005
 27/11/2005 a 03/12/2005
 06/11/2005 a 12/11/2005
 30/10/2005 a 05/11/2005
 16/10/2005 a 22/10/2005
 28/08/2005 a 03/09/2005
 21/08/2005 a 27/08/2005
 07/08/2005 a 13/08/2005
 24/07/2005 a 30/07/2005


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


DIÁRIO DE UM ESCRITOR
 

Experiência Concreta Radical- Significados.

Texto Marcos Mazzaro

Vaidade: Qualidade do que é vão, instável e de pouca duração.

Desejo imoderado de merecer a admiração dos outros.

" Quando Você...Me deixou Meu bem. Me disse pra ser feliz e passar bem. Quis morrer de ciúme. Quase enlouqueci.

Mas depois como era de costume... Obedeci. Quando você me quiser rever. Já vai me encontrar refeito pode crer.

Olhos nos Olhos. Quero ver o que você faz ao sentir que sem você eu passo bem demais. E que venho até remoçando.

Me pego cantando. Sem mais nem porque. E quantas águas rolaram. Quantos homens me amaram. Bem mais e melhor que você.

Através dela...Me escondo de mim mesmo.

 Poder: Faculde de impor obediência e autoridade. Mando. Império. Soberania. Domínio. Força. Capacidade de realização.

 " Enquanto os homens comandam seus podres poderes...motos e bichas indios e mulheres e adolescentes....FAZEM O CARNAVAL! "

INDISCIPLINA: Desobediência. Desordem. Rebelião.

" Eu não gosto do bom gosto. Eu não gosto dos bons modos. Não gosto."

Juventude: Adolescência. Mocidade.

" Ah... se a juventude que essa brisa canta. Ficasse aqui comigo mais um pouco. Eu poderia esquecer a dor. De ser tão só. Pra ser um sonho. Ai então quem sabe alguem chegasse...E O inesperado faça uma surpresa....E depois que a noite nos trouxesse a Lua. Se o Amor chegasse eu não resistiria. E a madrugada acalentaria nossa paixão..."

Sedução: Dom de Atrair. Atrativo. Encanto.

.... Sem Música... Porque a Sedução é o Próprio Canto da Sereia...

Preguiça: Inação. Moleza. Demora para fazer algo. Indolência.

" Se Deus quiser um dia quero ser indio. Andar pelado pintado de verde. Num eterno domingo. Ser um bicho preguiça.

Espantar turista. E tomar banho de sol...Banho de Sol... Banho de Sol."

 

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 11h26
[] [envie esta mensagem]



Slaves and Masters

Texto Marcos Mazzaro

 

Escravos todos somos. Beira nele à vontade de simplesmente deixar-se abandonar

e entregar-se a todo tipo de dor e suplício que seu corpo pudesse suportar.

Ao mesmo tempo se esgueira em alguma parte desta coisa multifacetada que

ele é uma vontade imensa de supliciar... De escolher uma vítima qualquer

e enfiar-lhe um estilete pelas vísceras só pra ver o sangue brotar.

Há algo de Cruel nisso tudo. Não no sentido violento que geralmente atribuímos a Crueldade. Não...

Há algo de Cru...Anterior ao Fogo primordial.

Anterior a nossa capacidade de cozinhar, de elaborar, de cuidar da matéria bruta

que explode impiedosa momento a momento.

Antonin Artaud sorri diante desta constatação que Ele, simples estudante,

fez na sala de aula incrustada pelo calor de mais de 40 graus.

Parece que Ele pinga. Gotas de fogo. E o corpo dele acendido pela chama violenta de palavras,

está a ponto de explodir. Ele tenta concatenar seus pensamentos quando ouve o que a professora diz,

mas se fixa na tentativa de lembrar os sete pecados capitais: Raiva, Inveja, Avareza, Soberba, Gula, Preguiça...

Algo falta.

E o que não consegue enumerar (se for seguir a teoria lacaniana/freudiana)

é aquele que mais lhe devora Crua- Mente.

É o sentimento que deve estar lhe mobilizando naquele exato momento.

Um Bruto Chama. E o fogo que lhe parece consumir é o mesmo que acalma

um tormento provavelmente originário lá no Big Bang, lá onde tudo começou e

não tem pressa de terminar. Estamos explodindo até hoje. Fazer o que?

E roubar o fogo dos deuses não foi nada demais. Ele já estava lá. Antes...Muito Antes...

Quando eu era simples poeira fumegante procurando um lugar pra assentar.

Ele se sente um Big Bang ambulante.

Mais ainda agora quando sem querer a mão de um colega toca na sua piroca.  

Seu amigo tentava pegar uma caneta que caíra no chão exatamente naquele instante,

enquanto a professora falava com entusiasmo sobre o Cru- El dourado

que nos permeia exatamente nos momentos antes do Ditirambo se implodir em múltiplas Tragédias...

O fogo quente está úmido.

Seu pau acaba de soltar uma gosma involuntária que deixa sua calça umedecida.

Esta vontade de tudo devorar. Neste mundo sem vontades qual será o meu lugar?

Onde poderei me esconder quando a terra se abrir e tudo engolir.

E nem esta respiração curta há de sobrar. Ai...Que medo de 2012!

A professora não percebia enquanto falava.

Mas seus duros mamilos se perfilavam enquanto ele, calça umedecida, tentava se recompor...

Ah... Sim...Qual era o Sétimo pecado mesmo que esquecera de enumerar nos seus devaneios?   

Escravos todos somos. Sempre. De alguma coisa.

Mas também Mestres, dominantes...Prontos pra marcar o território com um esguicho de urina.

O Rei Fantasma esta noite lhe apareceu em sonhos novamente.

Insiste em vingança. Mas também pede submissão.

O Rei assassinado emergiu na madrugada chamando pra um duelo...

Repetiu a frase que há muito é para ele uma verdadeira obsessão...

Escravos e Mestres somos sempre de Alguma coisa; Mas me diga... Filho querido... Como poderei  SER E SER E  SER... E SER...? 

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 12h09
[] [envie esta mensagem]



ULTRA ROMÂNTICO

TEXTO: MARCOS MAZZARO

                                                                                

Em algum lugar neste meu mundo pós, ultra, alguma coisa resiste à força o humano demasiado humano.

Mas é Tudo Incerto. Este que ainda assim se denomina, (HOMEM?) agoniza, alucinado,

inebriado pelas pílulas de alegria que costuma ingerir para acalmar as ânsias fisiológicas

do seu corpo sem alma.

Tudo Incerto...Fui assimilado pela máquina e pelas ilusões do mundo cyber.

Já existo em dezesseis dimensões e aguardo na fila para adentrar mais uma.

Daqui a pouco hão de me ensinar o tele-transporte das emoções e

todas estas angústias dois séculos desatualizadas hão de passar.

Pelo menos é A SUA VONTADE...Isto é...Se for possível VONTADE em um corpo desalmado.

Mas esperem! Deve haver algo que possa burlar esta interface cruel e cozida pelo

aço inox e pela nanotecnologia. Em mim pulsa alguma coisa ávida de transgressão.

São muitas e muitas eras registradas no meu DNA de PURA RESISTÊNCIA.

As Lutas da Bastilha me revelam ainda um DESEJO de TRANSFORMAÇÃO...

Ainda...(eu disse ainda?) Não fizeram o download da minha mente.

AINDA... Há Esperança de triunfar.

E IR TECENDO NOS ENCONTROS UMA RELEITURA DESTA VIDA QUE NOS ESCAPA...

MINUTO A MINUTO...SEGUNDO A SEGUNDO...

Hoje acordei enlevado. Renascido no Corpo e com a Mente descansada.

Porque pensar por demais às vezes dá nó.

E AGORA, particularmente, neste micro instante fui tomado pelas lembranças de um passado recente.

Reconhecer –se num outro Corpo...Sem as interfaces plugadas.

Desligar conexões, celulares, telefones, simplesmente desconectar de

toda e qualquer comunicação global e simplesmente deixar...

Um Corpo encontrar-se com outro Corpo.

Já dizia Drummond: ‘Deixe o Seu Corpo encontrar-se com Outro Corpo.

Porque os Corpos se Entendem...

Mas as almas não...’

Desconfio que as almas (se existirem) só podem ser criadas a partir do encontro pleno dos CORPOS.  

A Alma (se existir) nos desalmados pós-modernos...

Brota no toque mágico de pele com pele, de respiração, com respiração, de boca, com boca,

de sexo, na boca, do arrepio que percorre eletrizado os corpos de ponta a ponta...

A alma brota na boca inchada, no desejo inflado...

Que se prorroga querendo repetir-se em todas as manhãs...

A alma nasce quando DESEJO A ETERNIDADE.

  

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 12h58
[] [envie esta mensagem]



Uma Gota de Orvalho...

Texto: Marcos Mazzaro

                                                                                     Sim, caro leitor. Os dias estão difíceis. Ao contrário da maioria das pessoas que tem medo do mês de Agosto eu sinto especial pânico por Novembro. E não deu outra: mês violento, calorento e ainda com direito a um Apagão Nacional. Para complicar este é o mês que tudo começa a se direcionar para o desfecho do ano, no mês de Dezembro...De verdade...Dezembro tem 15 dias e olha lá!

Mas não pensem que estou reclamando. Nada disso. Pura observação deste mês Onze que já anuncia sua metade. Hoje particularmente faz dois anos que perdi uma saudosa amiga. Nelly Azevedo...Fica aqui o meu carinho e a minha saudade. Você faz falta.

Ela partiu num 15 de novembro chuvoso e deixou muitas lições de vida pra essa gente  (como dizia Cazuza) de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas querendo aquilo que não tem...Nelly deixou a imagem do sorriso largo mesmo diante da doença terminal que enfrentava, deixou a certeza de um amanhã melhor...Mesmo que ele pareça para alguns indeterminado e distante. Nelly foi dessas mulheres de temperamento forte e doce ao mesmo tempo. Capaz de enxergar nos amigos suas particularidades e também de respeitá-las. Uma vez ela me falou uma frase que nunca esqueci: “Não gosto de ver as pessoas se separando. É tão bom o Amor...”

Sem dúvida. Amar nos leva para lugares absolutamente inesperados, fascinantes. Amar provoca os sentidos dá água na boca. E tudo pode começar com simples beijos, carinhos...

Apesar da turbulência de novembro. Apesar de Você... Como diz o Chico...Amanhã há de ser outro dia...E confesso...As surpresas boas tem sido bem mais marcantes que as surpresas escuras.

Ontem foi um dia de agradecer. De olhar para meus amigos, minha família e tanta gente querida e dizer... Obrigado. De olhar para a Luz que tudo transcende e tudo Ilumina e dizer... Obrigado! Em algum lugar anjinhos diziam amém para meus pedidos.

O corpo responde a alma. A Alma leve torna tudo mais leve. Se a Alma ta leve...A vida voa...Em direção a felicidade.

É curioso como às vezes nós seres humanos nos conhecemos e nos reconhecemos... Tempos...Depois...Nós nos reencontramos. Nos olhos do Outro, de multiplos Outros...Eu só sei do que sinto...E pressinto. E Sensação fica no Corpo Trêmulo. Meu Cyber Embaçado confundiu-se todo de ontem pra hoje. Tá mais humano. Tá mais romântico...Espera o Amor. Se estremece quando sonha. Arrepia. E a gota de Orvalho...Vai se diluindo... Com os primeiros raios de Sol... Para novamente se formar...Sob a luz do Luar.

Talvez para que a Vida fique bela só seja preciso que...

Nos rendamos à Ela e digamos... SIM.

" Eu quero a sorte de um amor tranquilo... Com Sabor de Fruta Mordida..."



Escrito por MARCOS MAZZARO às 19h44
[] [envie esta mensagem]



O Cyber Embaçado

Texto: Marcos Mazzaro

Foi de repente que ele descobriu que passava mais de um terço de sua vida

em frente aos computadores. E que permanecia conectado, mesmo não

estando perto  da máquina. Já havia alguns anos que acontecia.

De inicio começou com os bate papos, depois o MSN, depois o Skype.

Depois tudo junto, mesclados a sites do mundo inteiro. Todos interligados...

Pessoas absolutamente anônimas organizavam orgias virtuais

pela câmera que nada desnudava...Tudo era só Imagem.

Mas foi justamente no dia que se deu conta desta realidade nada concreta,

de que estava absolutamente imerso no virtual, que se tornara uma interface,

que seu corpo mesmo sem fios estava plenamente plugado

em multidimensões que descobriu: a telinha dos computadores,

notebooks e pagers de mão estavam todas embaçadas, embaralhadas.

Ele olhava pras pessoas e não as via. Percebia mosaicos, texturas, fragmentos e comentários.

Na verdade, era como se houvesse acontecido no seu corpo um Apagão.

Sua pele, tão explorada, lugar de sensações, delícias e prazeres se tornou,

com o passar da década, a extensão de um corpo obsoleto.

No seu apartamento, de onde podia virtualmente desbravar todos novos e

velhos mundos, corpos e conteúdos transparentes, belos, feios e escatológicos,

sentia-se absolutamente fora do lugar. Sim... Aquelas sensações eram já inadequadas.

Seu cheiro, seu gosto, o paladar, tudo que remetesse ao sentir era incompatível

com aquele ambiente digamos um tanto extraterrestre.

Tudo embaçado. Tudo mosaico. Tudo dói e tudo alegra...Por demais.

Sou uma ausência projetada para interfacear com um mundo que ainda está por existir.

Sou um projeto. Um devir. E os momentos de consciência só podem vir

quando meu corpo funciona mal. A consciência é isto.

A dor de saber que não consigo ser homem, mas que também não sou -maquina,

que transito em espaços intermediários indeterminados e que ainda resiste

em mim a consciência corporal que deseja SER, Ser e ser.

Não são somente as telas que estão embaçadas: é o espaço que está saturado,

comprimido, no instante de um tempo também sufocado pelo aqui e agora do consumo.

São as ruas, ao mesmo tempo lotadas e vazias no trânsito congestionado.

É a lentidão dos engarrafamentos preenchida pelo som de meu mp3 que faz com

que eu não veja o meu tempo escapar num vôo abusado, na velocidade da luz.

Cena Final: Uma velhinha  tirou as tripas de um menino bonito que parou para perguntaras horas.

Ela enfiou um estilete sem dó no moleque que estrebuchou dizendo uns palavrões

antes de cair mortinho da silva, sem direito à vela na mão.

Ta tudo embaçado. Mas se olhar de perto consigo ver...

Mesmo que com Outros Olhos. Mas me deparo com...  Estranhos...

Apagaram-se as luzes e não há mais interno ou externo ou qualquer noção de corpo versus alma.

A dualidade tão acalentada se esvaziou em algum momento do século passado.

Perdeu o significado. Minha mãe, mamãe pela câmera, me recomenda que tome

leite quente antes de dormir. A musica de Zeca Baleiro insiste, martela...Ela não desiste!

Resiste! Preciso me redefinir para ter um corpo.

...Ando tão a flor da pele qualquer beijo de novela me faz chorar...

Ando tão a flor da pele, meu desejo se confunde com a vontade de não ser.

Ando tão a flor da pele que a minha pele tem o fogo do Juízo Final...



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h42
[] [envie esta mensagem]



Viver é Muito Muito Muito Perigoso

Texto: Marcos Mazzaro

 

Bate o vento fresco da noite. Mas ao invés de aliviar a baforada de ar parece que atiça ainda mais

a dor do corpo pesado pelo dia exaustivo. Nestas horas só resta escrever...

Quando dói ele tenta aliviar o incômodo colocando no papel suas mazelas.  

Mas não adianta muito. O peso ta lá. As recordações do dia ficam brincando na sua

cabeça já atônita pelo excesso de informações.  O sofrimento que brota... Em torno...

Hoje quando liguei a TV não pude fugir das catástrofes climáticas.

Por um momento pensei que todos estavam se acostumando com Tsunamis e Terremotos constantes...

Com desabamentos e telhados destruídos por chuva de granizo,

com imagens de gente desabrigada atravessando águas lamacentas...

Mas ele acreditava... Tinha no fundo esperança...  Deveria existir uma boa notícia no ar. Hummmm...

Ahhhhh Sim! A casa está um brinco...Branquinha...

E os gatos combinam mais do que nunca com a mobília reformulada.

Fazem arte nos armários, derrubam garrafas de cerveja no chão. Descobrem novos espaços.

Brincam com um arranhador novo, se inebriam com Nipcat a sensação do momento...

Um deles cheirou tanto... Tanto... Que saiu espirrando.

Prince às vezes tem o ar nobre dos franceses viciados em rapé...

Estica-se em cima do armário esperando a Vida passar ou atento ao bote de seu inimigo mortal.

Tinha que falar de banalidades. Sim... Mas não esquecerei o grandioso... O Teatro!

Talvez Don Juan Tenório possa salvá-lo.

Hoje o dia se desenhou em quadros expressionistas. Colocaram muitas tintas nubladas.

Tive vontade de mergulhar em um Oceano Azul. Mas tava tudo Cinza.

Tiros pipocaram de helicópteros vigilantes...E eu cheguei no exato momento da muvuca:

mães desesperadas tentando proteger seus filhos, correria geral...

Em um salve-se quem puder que beirava a selvageria. Quando nos vemos ameaçados viramos bichos.

Perdemos toda suposta humanidade.

Saímos disparados como uma manada de búfalos enfurecidos tentando salvar nossa pele.

Outra boa notícia! Depois de um dia exaustivo ele conseguiu finalmente com a ajuda

de um amigo colocar sua poltrona envenenada pra fora de seu apartamento.e também sacos e sacos de lixo.

A noite tinha acabado de cair e a lua meio cheia apontava entre os morros quando saiu para comprar cigarros.

Olhou para aquele imenso disco dourado e pensou num apetitoso queijo. Sentiu-se ridículo.

Mas estranhou quando notou que a poltrona que colocara na porta do condomínio para a

Comlurb recolher já não estava lá. Nem ela, nem o lixo, nem os colchões.

Afinal não comunicara a empresa sobre o lixo depositado na porta.

Caminhando um pouco mais, talvez uns quinhentos metros ele localizou

sua antiga mobília bem posicionada no meio da calçada.

Nela um mendigo vestido com um blaser fumava um charuto.  

O homem mais parecia um europeu, cabelos aloirados, a calça rasgada e um sorriso sarcástico desdentado.

Fingiu não ver... Afinal aquela figura mais parecia ter saído de um mundo absolutamente ficcional.

Aproximando-se mais notou que o homem de seus 40 e poucos anos

tinha também nas mãos um copo de vinho e parecia degustar a bebida com visível prazer.

Era um quadro interessante de observar. Até porque mais de perto ele viu

o homem da rua usando sua velha bota sem forros.  O velho se levantou da poltrona e foi para o meio da rua.

Gritava aos berros delirante em um recado direcionado:

“Seu moço, Viver é Muito Perigoso...”



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h36
[] [envie esta mensagem]



Cuidado com Seus Sonhos...Porque Eles se Tornam Realidade.

 

Texto : Marcos Mazzaro

 Nesta semana pensei muito sobre como as coisas que mais desejamos

(e que também mais tememos) acabam acontecendo.

Noite dessas tive um sonho pesadelo. Imagens fortes da vida real se mesclavam

a seres absurdamente bestiais.

Uma verdadeira Odisséia pelas catacumbas da existência.

E tive medo quando acordei. SENTI que o que falo e desejo... ACONTECE. 

Ficção e realidade muitas vezes se misturam.

Talvez por este motivo as telenovelas nos instiguem tanto...

Mesmo que às vezes não gostemos do estilo ou abordagem do autor.

Eu tenho geralmente um pé atrás com o Manoel Carlos.

Comentei até com um amigo meu que odiei o primeiro capítulo da novela Viver a Vida

que estreou na semana passada. Mas sabe-se lá porque...

Talvez o tédio...Ou uma pré-disposição para dar uma oportunidade

justamente ao que detesto me fez acompanhar as duas semanas da novela.

O fato é que aquele glamour todo, o casamento da Cinderela Helena,

as imagens deslumbrantes de Búzios, o mundo da classe média alta brasileira,

são cenas eternas de comerciais de margarina. Mesmo a maior desgraça ganha o tratamento “Leblon”.

Mas vá lá! Me chamaram a atenção os depoimentos reais dados no final de cada “comercial de Doriana”.

Ao mesmo tempo em que o procedimento me parece uma antidramaturgia a trama me seduziu.

Em especial algumas cenas que prenunciam o que vem por ai...

As pragas rogadas pela ex-esposa Tereza ao cinquentão Marcos me lembraram

as antigas tragédias gregas, beirando Medeia e as mulheres fúrias que compõe o nosso imaginário.

E não é só a esposa que manda o veredicto, mas também a filha

inconformada do pai se unir a uma rival da passarela.

Outra cena também me impressionou. O quase acidente de Luciana e seu comentário

diante de um espelho que preferia morrer a ficar toda lesada por um acidente.

E em seguida a fala do amigo que

“não se deve falar nada diante do espelho porque ele um dia nos devolve em forma de acontecimento”.

Todos estão carecas de saber que está prevista a virada na trama com a personagem vivida por

Aline Moraes. Luciana vai sim sofrer um acidente e terá que repensar seus valores.

O próprio autor nos avisa que falará de situações nos quais as personagens

vão aprender a superar as dificuldades...Aprendendo Viver a Vida.  Mas a questão é...

Saberemos superar a armadilha de nossos sonhos (e pesadelos) e

Viver o que a Existência nos oferece buscando realmente

a nossa felicidade e também a do Outro?

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 12h31
[] [envie esta mensagem]



CRONICA QUASE ZEN...( BASTA UMA TIGELA DE ARROZ)

Texto Marcos Mazzaro

 

Hoje eu dormi toda a tarde como um bebê recém nascido...

Dormi muito. Estava flor estava pele. E sentia o corpo embalado pelo

Oceano de uma Pré-infância... Antes da minha existência. Hoje,

Setembro Amanheceu nublado e as gotas de orvalho demoraram-se a evaporar.

De alguma maneira contemplativo meus ouvidos se embalaram bem

Cedinho ao som de Debussy. Não há tempo lugar certo pra se jogar.

Há que sentir e deixar cada fragrância invadir a pele. Ou se lançar e flertar com

O Caos do mundo.Quando acordei ele estava ao meu lado. A pele fresca,

E os cabelos encaracolados, selvagens, os olhos levemente oblíquos com

As marés de Capitu.

 

Basta uma tigela de Arroz!

 

?

 

Sim. Basta uma tigela de arroz....Imagine que você tem na sua frente uma tigela de arroz,

fumegante, apetitosa. E você a devora com a gula de quem realmente gosta de arroz!

Mas sinta... Ela está por demais gostosa... Todos os seus sentidos se exaltam de felicidade.

Então de repente você percebe todo o processo que se desenrolou...

Até aquele arroz chegar até sua mesa.

Alguém ensacou aquele arroz. E antes, um pouco antes pilou, tirou sua casca,

deixou-o no ponto para que ele ficasse com esta aparência que você antes de comer tanto admira.

Antes ainda... Muitas pessoas provavelmente prepararam a terra...Plantaram, colheram, armazenaram...

Enfim... Para que este arroz fosse degustado por você com tanto prazer, muitos trabalharam...

Sofreram... Suaram...Disponibilizaram tempo e energia pra que você tivesse esse momento de felicidade...

 

Sim... Mas... E daí?

 

Não percebe? Esse instante feliz está intimamente vinculado a eventos anteriores...

Não necessariamente felizes... Não necessariamente prazerosos...

Você seria capaz de imaginar como seria se todos que estavam envolvidos estivessem

transbordando de prazer no que faziam?

 

Percebendo o quanto meu raciocínio estava lento ele tocou com suas mãos o meu corpo.

Parecia conhecê-lo profundamente.  Arrepiava-me sua saliva, o beijo, sua umidade.

A felicidade brotava no corpo que cachoeirava cascatas.

Não era só o prazer físico que inebriava. Era toda uma Ancestralidade que tudo religava,

um ritual profano e sagrado ali se desenvolvia na intimidade daquele quarto com cheiro de incenso.

Então...Por um instante pensei: Sim...

E se todos que trouxeram você até mim também sentissem parte desta alegria?

E se todos aqueles que trabalharam arduamente e sofreram e suaram e...para aquela tigela de arroz estar ali... Sentissem por um momento que o Paraíso é aqui e agora e está dentro de nós?

 

There  is a somebody I m longing to see
I hope that she turns out to be
Someone who watch over me...



Escrito por MARCOS MAZZARO às 22h00
[] [envie esta mensagem]



Cais

Texto Marcos Mazzaro 

 

Anoitecia. E enquanto observava o sol se por uma brisa leve e morna bafejou seu rosto.

Uma carícia do ar. Chovera a pouco e dava pra sentir o cheiro do asfalto

molhado após o dia insuportavelmente quente. O mar bate rebate bate rebate.

Dentro da gente tem um mar escondido que quando anoitece se torna ainda mais intenso.

Parece que de algum modo nos tornamos aquele ir e vir sem cessar das ondas.

E era isso que sentia quando olhava para, naquele fim de dia, o tímido

por de sol quase coberto pela névoa, em frente à praia de Ipanema.

Um ir e vir interno que não sossegava.

Mas pra que sossegar? Se o mar que bate dentro continuará também

seu incessante movimento independentemente de qualquer vontade.

Pra que querer deter o movimento da Vida que é mesmo

de idas, vindas e raras pausas.

Naquele instante por mais que não desejasse ele sentia o impacto da pausa.

Dali de Ipanema ele viu o transatlântico passar e apitar três vezes

longamente para anunciar que em breve estaria entrando na Baía de Guanabara.

Sempre que ouço o som de trens e navios anunciando sua chegada o coração estremece.

Parece que um tempo terminou e que outro se anuncia. É como a Morte.

Sentia meu coração acelerar e uma vontade imensa de correr para o porto e observar

cada um que de lá sairia. De onde viriam? O que trariam de tão longa jornada? Que cheiros exalariam?

Que experiências novas trariam estes novos passageiros que dali a instantes desembarcariam na Cidade Maravilhosa?

Sentiu uma vontade imensa de pegar um táxi e dirigir-se ao porto para ver

o desembarque daquele povo desconhecido.

A noite já tinha caído e o calçadão naquele domingo estava deserto.

Carioca detesta dias chuvosos e nublados.

O taxista olhou espantado para aquela figura úmida que lhe exigia: “Para o porto do Rio... Voando!”

Pedido fácil de atender. Na cidade vazia o carro deslizava como uma aeronave em meio às nuvens.

Quando sinto o vento bater forte no rosto me lembro de um tempo de inocência. 

Nele eu cavalgava corcéis e deitava com os Ventos...

Em menos de vinte minutos estava no Cais. E o navio acabara de chegar.

Ainda não havia liberado a turba de passageiros que parecia inquieta e impaciente.

Ali fazia frio. Ou era a alma saindo pela boca congelada de medo do novo que estava por vir?

No horizonte enquanto a multidão aportava a lua cheia grávida se exibia no horizonte...

Para quem quer se soltar em vento cais, em vento mais que a solidão me dá,

em vento lua nova a clarear, em vento amor, e sei a dor, de encontrar...

Eu queria ser feliz em vento mar invento em mim o sonhador.

Para quem quer me seguir. Eu quero mais. Tenho o caminho do que sempre quis.

E um saveiro pronto pra partir. Em vento paz, e sei a vez de me lançar...

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 20h39
[] [envie esta mensagem]



 

As Manhãs De Setembro

Texto: Marcos Mazzaro

 

Estão chegando as manhãs de setembro. O céu ta azulzinho.

E o ar nem frio nem quente tempera os corpos.

Amanhecer é bom. Particularmente quando durante a noite anterior anjos e deuses

dormiram com ele realizando desejos.

Eram por volta das seis quando espreguiçou acordado por seus felinos.

Olhou no espelho, deu um berro de Bom Dia para o mundo, tomou um banho, se barbeou

e foi ajeitar a bagunça do dia anterior: a louça, o chão, a sujeira dos bichanos, a ração, a água.

Olhou-se no espelho e gostou do que viu. Apesar da zona sentiu na pele o arrepio da felicidade.

Mas não pense que havia algo de especial acontecendo. Nada disso.

Era só o frescor da brisa batendo, era só a sensação de estar vivo, era só a contemplação

dos seus animais felizes olhando para o seu rosto

ainda inchado de sono chamando para brincar de viver.

Era só jogar um ratinho de brinquedo para o alto e pronto!

Quatro felinos o disputavam como se fosse caça de carne e sangue aquele objeto.

Mas tudo terminava em festa. Com miados, chiados e um ou outro rosnado

mais agressivo de quem provavelmente levava o jogo à ferro e fogo.

Os pequenos felinos estavam lhe dando uma lição de vida naquele exato instante.

Levar tudo por demais a sério pode ser um problema e tanto.

Tornar o jogo da vida uma partida de vida e morte só pode trazer sofrimento.

(Os animais jogam. Os homens idem. Entre os mais selvagens o jogo é sério.

É questão de sobrevivência. E este quê visceral é pura poesia da existência.) 

O gato zangado havia sido excluído do jogo.

Rosnava tanto que os outros acabaram se afastando e foram achar um outro objeto para brincar.

Alguns minutos depois, porém, Yoda cansou-se de vociferar para os outros.

Curioso foi se aproximando do grupo que fazia

a festa com um pintinho de estimação de Prince o principal rival de Yoda...

Minutos depois era este o outro objeto alvo da disputa dos quatro e parece que o gato zangado

estava mais calmo, pois brincava com os outros despreocupadamente.

Teria aprendido a levar a vida com mais leveza? Talvez...

A curiosidade pode matar o gato? Com certeza.

Mas ela é também uma grande qualidade...

É ela quem dá abertura para continuarmos a jogar.

Assim são as manhãs de setembro...  Leves e sensoriais.

(É o amanhecer dos que se preparam para a primavera.

Ela chegará como em todos os anos lá pelos finais do mês e como sempre

pássaros e borboletas vão pousar nas janelas das casas e encantar os cenários.)

Os gatinhos estarão também lá entretidos com a abundância de pequenos animais

que se mostram provocando seus instintos.

Eles vão olhar os pássaros pousando na janela e nos telhados.

Vão resmungar um pouco porque são bichinhos de apartamento e não tem

a mínima possibilidade de capturarem pombos, rolinhas, andorinhas e afins... 

Alguém já observou o resmungo de um gato quando contrai as mandíbulas

impossibilitado de capturar sua presa? Ele fica ali, tenso, frustrado, e cheio de desejos.

Sim... Caro leitor... As manhãs de setembro são plenas de desejo. É tempo de caça e caçador...

É tempo de Amar. Mas também de brincar e brindar a Vida em todas as suas dezesseis dimensões...

Pois Tudo respira... Sentimentos. 

“Eu quero sair... eu quero falar... eu quero ensinar os meninos a cantar nas manhãs de setembro!” 

Mas este é assunto para a próxima crônica... 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 08h41
[] [envie esta mensagem]



Agosto o mês do bom gosto

Texto: Marcos Mazzaro

 

Agosto tem fama de bicho papão para a maioria das pessoas crentes ou não em uma natureza metafísica.

São conhecidos os provérbios populares: agosto, o mês do desgosto, agosto, mês do cachorro louco.

Outro dia logo no início do mês um amigo meu conhecido pelo seu otimismo chegou e

mandou sua previsão sobre os próximos trinta dias “Agosto me causa pavor”.

Era o início do mês. E estava atolado de questões para serem resolvidas.

Mas nas minhas crenças reservava para o mês anterior, julho, a causa de todos infortúnios.

Isto por conta de uma antipatia numerológica com o número 7.

No fundo uma grande bobagem. Nossa multiplicidade permite mesmo que sejamos tolos às vezes.

 

(Hoje descobri que quero ser tolo quantas vezes for necessário.

Quero rir de abobrinhas, ver o tempo passar.

Hoje descobri uma leveza sustentável capaz de planar entre os mundos...

Quero me surpreender... como uma gaivota.)

Então... Pela manhã fiz as pazes com o sete.

Quando li um compendio de numerologia entendi a seqüência lógica, pitagórica de existir...

É necessário um tempo pra alma se alimentar, respirar e contemplar o instante.

Este momento é representado pelo SETE.  

Pois que depois desta contemplação absoluta eis que o número seguinte nos dá outra tarefa:

Quadrado sobre Quadrado, Terra Sobre Terra. Concreto Sobre Concreto.

Inverta e conseguirá o infinito.

Agosto para mim também não era a época mais simpática do mundo,

mas por ter certa simpatia pelo oito criei para mim um propósito:

haja o que houver não vou culpar agosto.

E fomos que fomos.

Acabamos indo: Viajei para visitar a minha família em Presidente Prudente.

Estava com um trabalho engatado no Rio o que me impediu de prorrogar a estadia com meus entes queridos.

Quando voltei mais novidades. Sentia o cheiro de mudança no ar. Foi só acionar o start que boom!

A bomba explodiu. Ou implodiu? Porque todas as rupturas que se seguiram pareciam já programadas.

 

(Prefiro a partir de agora imagens poéticas. Prefiro olhar para os dias ensolarados de agosto.

Para o friozinho na barriga que dá quando atravessamos um portal.

Sinto no corpo o instante impressionista das catedrais de Rouen pintadas por Monet).

Nesta manhã acordei com a alma brilhando...

Neste final de mês de tantas tribulações senti um gosto adocicado na boca.

E o frescor dos ventos prenunciando as manhãs de setembro...().

 

“Eu quero sair eu quero falar... eu quero ensinar os meninos a cantar...

nas manhãs de setembro... nas manhãs de setembro... nas manhãs!”



Escrito por MARCOS MAZZARO às 19h28
[] [envie esta mensagem]



Sinto na Pele, Logo Existo.

Texto: Marcos Mazzaro

O dia mal amanheceu. As névoas estão entrando pela minha janela. Sou íntimo delas, conheço suas texturas, a umidade,

o friozinho refrescante das gotículas de água delas.Elas contornam e moldam o corpo sonolento estendido na cama

Todas sensações me inebriam. Em algum lugar bem imaterial de mim mesmo parece que vou diluir. E multiplico meus focos.

Olho-me demais. Tenho muitos focos de luz úmidos. E todos me fascinam.  Sou quase um caleidoscópio imerso em sensações.

E o mais difícil é se apreender quando nos descobrimos múltiplos, diversificados. Mergulhados nesta diversão infinita de sensações físicas.

Deixo-me levar. Mas talvez ai esteja uma saída...Tenho fome de materialidade, de physis, de toque.

Viver é arrepiante: esquento, esfrio, congelo, pra depois na neve derretida renascer como um broto

pronto para novamente respirar e sorver o sol.

Olhar para os vaga-lumes era um dos meus passatempos prediletos quando era criança...

Eles piscavam na noite criando infinitos pontos de luz. E eu gostava na maioria das vezes de contemplá-los.

Olhar para aquelas lanterninhas vivas na terra me apontavam para as infinitas estrelas brilhantes lá no céu.

Mas os bichinhos de luz própria estavam aqui na Terra. Não é curioso?

Eles eram concretos. Eu poderia tocá-los se quisesse.

Quantas vezes, fascinado, eu os aprisionava por um instante só pra ter o prazer de vê-los piscar na palma da minha mão.

Vir do interior talvez tenha suas vantagens. A gente olha para os vaga-lumes e para as estrelas. A gente sente os animais de outro modo.

Galopamos nas costas de corcéis só pra sentir o perfume do vento... A Liberdade.

Tanto a luz da terra, quando a luz do Universo Estelar se apresenta pra nós de um modo intenso e visceral.

Aprendemos a pisar na terra molhada e tomar banho de chuva sem os pudores da cultura urbana

totalmente voltada para a construção de imagens perfeitas de photoshop.

Ter suas origens calcadas neste solo fértil onde brota o humus a todo instante me tornou de repente um sensorial incorrigível.

Mas tenho um pressentimento estranho para o futuro deste mundo imagético e virtual que nos domina.

Estamos tão rodeados de belezas e ídolos construídos. Falta neles sangue e cheiro.

Falta hálito e o perfume dos estábulos. Falta Vida!

Mas acredito, sim... Sou um homem de crenças incorrigíveis e com a mesma intensidade sinto na pele

que um dia toda esta virtualidade humana construída através de uma platônica visão do mundo

vai se desmanchar novamente na história humana. Há de demorar muito ainda...

Porque este movimento que nos arrebatou dos sentidos começou há quase três mil anos e ainda está em curso.

De lá pra cá viemos nos empenhando em cada vez mais em virtualizar a Vida.

Virtualizar atribuindo-lhes características nada palpáveis, nada humanas.

Um dia todo esse arsenal de idealizações construídas na velocidade da técnica vai desmoronar.

Um dia o programa construído, principalmente nestes dois últimos séculos, e mais ainda neste início de terceiro milênio

vai se esfacelar, virar farelo, terra, cinza. Neste dia... Talvez...

Não só possamos tocar os bichinhos de luz, hoje absolutamente raros.

Haveremos de transcender fazendo do corpo nossa obra-prima.



Escrito por MARCOS MAZZARO às 09h01
[] [envie esta mensagem]



 

A Queda

Parte 7

Texto: Marcos Mazzaro

No Hospital Clean: Ivan e o Diretor Geral.

 

 Abra as cortinas, por favor!

 

O diretor geral vai até a janela...

Abre as cortinas. Uma luz imensa penetra o lugar.

 

Você dormiu bem esta noite?

 

Sim. Como uma criança... Nos braços do Criador...

 

Criador? Você sempre foi cético. Dá pra ver pelo que você escrevia...

Anjos Profanos...Personagens sem nenhum caráter...

 

 

Eu já morri?

 

Para todos os efeitos, como disse a enfermeira chefe sim! Mas você sabe.

Todos estão mortos.

Tudo não passa de simples aparência, nós somos personagens da Vida...

No fundo nós somos quase fantasmas...Prontos pra desaparecer...

E reaparecer... E desaparecer de novo... Entramos e saímos de cena...

Você mais que ninguém sabe do que estou dizendo.

 

Há quanto tempo estou aqui?

 

Uma semana. Está no fim. Não se preocupe.

 

Está no fim?

 

Sim. Questão de tempo...De horas, de minutos, talvez.

 

Aquele rapaz... Depois da janela... Longe...Encostado na pilastra...Quem é?

 

Eu que sei? Ele é seu... Não é meu!

 

Sei

 

Ele continua falando... Falando... Falando... Repetindo compulsivamente algo que não compreendo.

 

E ele sempre está lá?

 

Sim. Mas muda de rosto às vezes. Mas se eu soubesse decifrar o que ele diz com os lábios...Saberia...Ele repete sempre...

 

Quer um charuto?

 

Pode fumar aqui?

 

Aqui pode tudo Ivan! Tudo!

 

Ivan se recosta na cama de modo mais confortável.

O diretor geral se aproxima e lhe dá o charuto. Ivan o acende.

O diretor geral também acende seu charuto.

 

Eu descobri o que ele diz...! Eu descobri!

 

 

E o que ele diz?

 

 

BLACK GERAL. FUMAÇA. MUITA FUMAÇA.

 

XXX

 

Miguel encostado em uma pilastra. Miguel, desgrenhado, fora de si.

 

Sinto muito...Me Perdoa...Obrigado por tudo! Eu te Amo!

 

Talvez eu deveria dizer o que você diz! Eu fiz tudo tão errado...

 

Eu tenho que ir. O projeto social começa na segunda feira na Universidade.

Eu vou pegar o vôo de sábado...Quero descansar...

 

Entendo...Então...Boa Viagem!

 

Para você também!

 

O que você disse?

 

Boa Viagem!

 

 

 

(continua...)



Escrito por MARCOS MAZZARO às 00h33
[] [envie esta mensagem]



A QUEDA PARTE 7

(ENTRE UM BEIJO E OUTRO... ENTRE UMA PEÇA E OUTRA DE ROUPA QUE VAI PARA O CHÃO, DESNUDANDO-OS)

 

Naquela noite antes de amanhecer caiu uma tempestade.  E quem se inundava afinal?

Que água era aquela que despencava sei lá de onde e parecia ao mesmo tempo me inspirar,

me renovar e me dar fôlego para continuar apesar de todos os medos e dúvidas?

Sentia pela primeira vez uma espécie de fusão. E esta sensação me causou um enorme incomodo.

A chuva que caia pesada, azucrinando minha alma, meu corpo, me forçava a olhar ainda mais para ele.

Para aquele rapaz que envolto em lençóis parecia mais uma criatura vinda de outro mundo.

Que não combinava com nada do cenário mundial, mundano, global, que tanto conheço.

 

( O Corpo Nu de Miguel. Ele se mexe entre lençóis)

 Ivan Escrevendo

 

 No fundo, no fundo, eu não sabia dar nome ao que sentia.

Mais parecia que estava criando um roteiro, uma estória, um romance,

algo que fosse do domínio da arte, de uma beleza que tentasse ultrapassar todas as vilanias humanas.

Eu naquele momento estava inventando mais um amor para mim mesmo.

Inventando para que fosse suportável aquela sensação de embriaguez que o corpo dele me provocava.

 

E não saberia dizer se tudo o que sentia era conseqüência do final da bebedeira...

Se tudo não passaria de pura volúpia sexual.

 

O velho filme de uma noite intensa e fugaz de gozo que me arrebata desde a infância.

 

Quando olhei para o corpo dele emaranhado nos lençóis,

quando senti aquele cheiro de porra no ar impregnando as roupas espalhadas pelos quatro cantos

daquele quarto moderninho, cheiroso e tão clean eu me recordava  de poucas coisas.

Mas de repente...Me veio a mente de um modo maldoso o exato lugar onde eu guardei o carro naquela noite.

 

...Em um estacionamento da Glória antes de decidir encher a cara e mergulhar naquelas sensações todas...

 

Mas além da imagem do exato lugar de onde eu havia deixado o carro

eu não conseguia me lembrar de mais nada.

Miguel era um sonho. Que se evaporaria ao primeiro brilho do sol.

E a luz começou a invadir aquele quarto.

Como se um segundo sol estivesse invadindo as órbitas do planeta...

Como naquela música...Eu me levantei fui até a janela e fechei as cortinas...

 

 

MÚSICA: BILHETINHO AZUL/ CAZUZA ( Transição)

Ivan se levanta. Vai embora. Bate a porta.

(CONTINUA...)



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h58
[] [envie esta mensagem]



A Queda

Parte 6

 

Da primeira vez que vi Miguel foi a uma visita que fiz a Universidade. Ele estava encostado displicente na escada de acesso. Eu tava atrasado para o debate Mas não pude deixar de olhar... Cabeludo... Barba por fazer. E os olhos vivos, flamejantes por causa de uma discussão com um colega. Ele tem um jeito de brigar pelo que acredita que nunca vi na geração dele...

 

Você tem fogo?

 

Eu não fumo...Mas tenho um isqueiro aqui. Pode Ficar com ele!

 

XXX

 

 

Da segunda vez que eu vi Ivan... Foi na madrugada da Lapa Vazia e Selvagem...

Ele estava completamente embriagado. Eu me preparava para entrar no meu carro.

O que me tocou, o que me emocionou naquele quase cinquentão?

Era talvez a bebedeira que escondia a fragilidade de uma criança...

Acho que senti por ele desde o início uma espécie de compaixão.

 

Eu te conheço! Um tempo atrás você me deu um isqueiro!

 

É verdade! Você é o escritor de minisséries...Eu sou Miguel. Naquele dia não me apresentei.

 

Você tem idéia do que é esquecer o lugar onde você deixou o carro depois de umas biritas????

 

Talvez...Você vai tentar achar o seu carro ou...?

 

Um desespero, uma carência urgente, um transe.

 

Me leva pra sua casa... Me leva pro seu ninho...Me leva pro seu esconderijo...Me  leva pro céu...Me leva...

 

Você é engraçado cara...Mas ok...Vou te dar um berço hoje...

 

XXX

 

Qual o gosto de um beijo roubado?

 

Depende

 

Eu vou te dizer...

Um beijo roubado é como uma vertigem que antecipa uma queda...

 

Por que?

 

Porque quando a gente está pra mergulhar no desconhecido dá tontura...

A gente esquece tudo. Até onde deixou o carro...

Até o horário marcado com a mulher, com os filhos...

Eu me lembro que a Marta me pediu algo para as crianças... Mas eu não sei dizer o que foi...

 

Sempre foi assim?

 

Sabe que eu não sei? Eu nada sei...

Tenho um bicho dentro de mim que vai me guiando e que só sabe deixar rastros...

 

Rastros?

 

Sim. Rastros...Eu peguei uma estrada mas não consigo retornar.

Não sei qual é o caminho de volta...Eu marquei minha trajetória com pedaços de pão...

Só que os pássaros e os animais comeram as pistas que podiam me mostrar o retorno pra mim mesmo...

 

Mas quem consegue? Todos nós marcamos a nossa estrada com coisas perecíveis...

Até as pedrinhas... Se você pensar melhor não garantem um caminho de volta.

Elas se parecem muito e podem confundir.

Ou o vento, as chuvas, as tempestades podem tirar o que a gente colocou no lugar com tanto cuidado...

Quando você olhar...Elas não vão estar lá.

 

São anos tentando ser e agir dentro de um esquema que desconheço...

A Marta... Meus filhos...Nem sei se deveria falar agora...A impressão que tenho é que não estou lá...

Que tenho necessidade de outro espaço e tempo... Eu preciso respirar...

 

UM BEIJO DE PERDER O FOLEGO...

 

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h40
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]