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DIÁRIO DE UM ESCRITOR
 

 

A Queda

Parte 7

Texto: Marcos Mazzaro

No Hospital Clean: Ivan e o Diretor Geral.

 

 Abra as cortinas, por favor!

 

O diretor geral vai até a janela...

Abre as cortinas. Uma luz imensa penetra o lugar.

 

Você dormiu bem esta noite?

 

Sim. Como uma criança... Nos braços do Criador...

 

Criador? Você sempre foi cético. Dá pra ver pelo que você escrevia...

Anjos Profanos...Personagens sem nenhum caráter...

 

 

Eu já morri?

 

Para todos os efeitos, como disse a enfermeira chefe sim! Mas você sabe.

Todos estão mortos.

Tudo não passa de simples aparência, nós somos personagens da Vida...

No fundo nós somos quase fantasmas...Prontos pra desaparecer...

E reaparecer... E desaparecer de novo... Entramos e saímos de cena...

Você mais que ninguém sabe do que estou dizendo.

 

Há quanto tempo estou aqui?

 

Uma semana. Está no fim. Não se preocupe.

 

Está no fim?

 

Sim. Questão de tempo...De horas, de minutos, talvez.

 

Aquele rapaz... Depois da janela... Longe...Encostado na pilastra...Quem é?

 

Eu que sei? Ele é seu... Não é meu!

 

Sei

 

Ele continua falando... Falando... Falando... Repetindo compulsivamente algo que não compreendo.

 

E ele sempre está lá?

 

Sim. Mas muda de rosto às vezes. Mas se eu soubesse decifrar o que ele diz com os lábios...Saberia...Ele repete sempre...

 

Quer um charuto?

 

Pode fumar aqui?

 

Aqui pode tudo Ivan! Tudo!

 

Ivan se recosta na cama de modo mais confortável.

O diretor geral se aproxima e lhe dá o charuto. Ivan o acende.

O diretor geral também acende seu charuto.

 

Eu descobri o que ele diz...! Eu descobri!

 

 

E o que ele diz?

 

 

BLACK GERAL. FUMAÇA. MUITA FUMAÇA.

 

XXX

 

Miguel encostado em uma pilastra. Miguel, desgrenhado, fora de si.

 

Sinto muito...Me Perdoa...Obrigado por tudo! Eu te Amo!

 

Talvez eu deveria dizer o que você diz! Eu fiz tudo tão errado...

 

Eu tenho que ir. O projeto social começa na segunda feira na Universidade.

Eu vou pegar o vôo de sábado...Quero descansar...

 

Entendo...Então...Boa Viagem!

 

Para você também!

 

O que você disse?

 

Boa Viagem!

 

 

 

(continua...)



Escrito por MARCOS MAZZARO às 00h33
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A QUEDA PARTE 7

(ENTRE UM BEIJO E OUTRO... ENTRE UMA PEÇA E OUTRA DE ROUPA QUE VAI PARA O CHÃO, DESNUDANDO-OS)

 

Naquela noite antes de amanhecer caiu uma tempestade.  E quem se inundava afinal?

Que água era aquela que despencava sei lá de onde e parecia ao mesmo tempo me inspirar,

me renovar e me dar fôlego para continuar apesar de todos os medos e dúvidas?

Sentia pela primeira vez uma espécie de fusão. E esta sensação me causou um enorme incomodo.

A chuva que caia pesada, azucrinando minha alma, meu corpo, me forçava a olhar ainda mais para ele.

Para aquele rapaz que envolto em lençóis parecia mais uma criatura vinda de outro mundo.

Que não combinava com nada do cenário mundial, mundano, global, que tanto conheço.

 

( O Corpo Nu de Miguel. Ele se mexe entre lençóis)

 Ivan Escrevendo

 

 No fundo, no fundo, eu não sabia dar nome ao que sentia.

Mais parecia que estava criando um roteiro, uma estória, um romance,

algo que fosse do domínio da arte, de uma beleza que tentasse ultrapassar todas as vilanias humanas.

Eu naquele momento estava inventando mais um amor para mim mesmo.

Inventando para que fosse suportável aquela sensação de embriaguez que o corpo dele me provocava.

 

E não saberia dizer se tudo o que sentia era conseqüência do final da bebedeira...

Se tudo não passaria de pura volúpia sexual.

 

O velho filme de uma noite intensa e fugaz de gozo que me arrebata desde a infância.

 

Quando olhei para o corpo dele emaranhado nos lençóis,

quando senti aquele cheiro de porra no ar impregnando as roupas espalhadas pelos quatro cantos

daquele quarto moderninho, cheiroso e tão clean eu me recordava  de poucas coisas.

Mas de repente...Me veio a mente de um modo maldoso o exato lugar onde eu guardei o carro naquela noite.

 

...Em um estacionamento da Glória antes de decidir encher a cara e mergulhar naquelas sensações todas...

 

Mas além da imagem do exato lugar de onde eu havia deixado o carro

eu não conseguia me lembrar de mais nada.

Miguel era um sonho. Que se evaporaria ao primeiro brilho do sol.

E a luz começou a invadir aquele quarto.

Como se um segundo sol estivesse invadindo as órbitas do planeta...

Como naquela música...Eu me levantei fui até a janela e fechei as cortinas...

 

 

MÚSICA: BILHETINHO AZUL/ CAZUZA ( Transição)

Ivan se levanta. Vai embora. Bate a porta.

(CONTINUA...)



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h58
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A Queda

Parte 6

 

Da primeira vez que vi Miguel foi a uma visita que fiz a Universidade. Ele estava encostado displicente na escada de acesso. Eu tava atrasado para o debate Mas não pude deixar de olhar... Cabeludo... Barba por fazer. E os olhos vivos, flamejantes por causa de uma discussão com um colega. Ele tem um jeito de brigar pelo que acredita que nunca vi na geração dele...

 

Você tem fogo?

 

Eu não fumo...Mas tenho um isqueiro aqui. Pode Ficar com ele!

 

XXX

 

 

Da segunda vez que eu vi Ivan... Foi na madrugada da Lapa Vazia e Selvagem...

Ele estava completamente embriagado. Eu me preparava para entrar no meu carro.

O que me tocou, o que me emocionou naquele quase cinquentão?

Era talvez a bebedeira que escondia a fragilidade de uma criança...

Acho que senti por ele desde o início uma espécie de compaixão.

 

Eu te conheço! Um tempo atrás você me deu um isqueiro!

 

É verdade! Você é o escritor de minisséries...Eu sou Miguel. Naquele dia não me apresentei.

 

Você tem idéia do que é esquecer o lugar onde você deixou o carro depois de umas biritas????

 

Talvez...Você vai tentar achar o seu carro ou...?

 

Um desespero, uma carência urgente, um transe.

 

Me leva pra sua casa... Me leva pro seu ninho...Me leva pro seu esconderijo...Me  leva pro céu...Me leva...

 

Você é engraçado cara...Mas ok...Vou te dar um berço hoje...

 

XXX

 

Qual o gosto de um beijo roubado?

 

Depende

 

Eu vou te dizer...

Um beijo roubado é como uma vertigem que antecipa uma queda...

 

Por que?

 

Porque quando a gente está pra mergulhar no desconhecido dá tontura...

A gente esquece tudo. Até onde deixou o carro...

Até o horário marcado com a mulher, com os filhos...

Eu me lembro que a Marta me pediu algo para as crianças... Mas eu não sei dizer o que foi...

 

Sempre foi assim?

 

Sabe que eu não sei? Eu nada sei...

Tenho um bicho dentro de mim que vai me guiando e que só sabe deixar rastros...

 

Rastros?

 

Sim. Rastros...Eu peguei uma estrada mas não consigo retornar.

Não sei qual é o caminho de volta...Eu marquei minha trajetória com pedaços de pão...

Só que os pássaros e os animais comeram as pistas que podiam me mostrar o retorno pra mim mesmo...

 

Mas quem consegue? Todos nós marcamos a nossa estrada com coisas perecíveis...

Até as pedrinhas... Se você pensar melhor não garantem um caminho de volta.

Elas se parecem muito e podem confundir.

Ou o vento, as chuvas, as tempestades podem tirar o que a gente colocou no lugar com tanto cuidado...

Quando você olhar...Elas não vão estar lá.

 

São anos tentando ser e agir dentro de um esquema que desconheço...

A Marta... Meus filhos...Nem sei se deveria falar agora...A impressão que tenho é que não estou lá...

Que tenho necessidade de outro espaço e tempo... Eu preciso respirar...

 

UM BEIJO DE PERDER O FOLEGO...

 

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h40
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A Queda

Parte5

A Carta de Marta (continuação)

Como você se organizaria? Como cumpriria os prazos? Como você escreveria suas minisséries sem a minha ajuda? Em algum lugar de você mesmo a verdade deve aparecer. Eu construí parte do que você é. Um pouco como em Cyrano de Bergerac... Na ilusão de te conquistar. Eu transformava os seus conteúdos brutos em campeões de audiência. .Eu me expressava através de você. Quantas noites eu não entrava madrugada adentro porque você simplesmente se abstraia de suas responsabilidades. Você também nunca teve noção de seus limites. Prometia entregar os capítulos em prazos irreais. Você nunca soube...Um dia liguei para o diretor geral e fazendo o papel da mulherzinha, fazendo o gênero frívola, debilóide, expliquei que seus furos eram digamos coisa de artista, de cabeças geniais...Essa bobagem toda. Sabe Ivan... Me fingir de idiota, de louca, de alienada,  foi a saída que encontrei durante os muitos anos de nosso relacionamento. Desta maneira doía menos. Logo depois que voltamos ao Brasil, após o nascimento da Yara...Eu comecei a sentir que havia algo errado comigo. Não havia explicação para tanta submissão, para que eu me anulasse tanto. Procurei ajuda em um terapeuta. Talvez este tenha sido o primeiro passo para que aos poucos eu fosse tomando consciência do que estava acontecendo comigo. Eu me tornei um capacho, uma coisinha desprezível e pior! Eu gozava com isso! Um pouco depois eu adoeci e fui passar uma temporada na casa de meus pais. Levei as crianças. Liguei para o diretor geral e inventei que você estava com uma estafa. Você também nunca se perguntou  porque eu insisti tanto para que você me entregasse  uma procuração para te representar junto da emissora. Eu assinei e cancelei alguns de seus contratos. O que mais me deixava intrigada era sua despreocupação total sobre esses assuntos. Realmente, se eu não estivesse ao seu lado sua carreira não duraria um verão! Mas agora... Com um pouco de lucidez posso notar que fazia também pelas crianças. Eu temia uma queda bruta nos nossos rendimentos. Você nunca soube lidar com grana. Poderia ganhar 20, 30 mil reais...Viveria sempre duro e endividado.

 

Mas é isto meu caro! Você não pode imaginar o prazer que sinto quando escrevo estas linhas finais. Você não pode imaginar o quanto me senti viva quando me fiz de idiota e comentei como quem não quer nada o telefonema de Miguel. O seu anjo voará para longe meu amor...Sabe...Ele não suporta mais você e esta sua obsessão por corpos, esse seu jeito de garotão apesar de seus quase 50 anos. Eu fiz questão de dizer pra você... Como também fiz questão de ter uma ultima conversa com ele antes de partir. Contei inclusive o telefonema que você deu para o Reitor em Madri. Acho que ele não gostou de saber a verdade. Acho também que ele não gostou nem um pouco de saber que eu estava a par de todas as suas atitudes estabanadas.

Miguel é um menino bonito. E bom de cama! Olha...Me surpreendeu! E tem nos seus vinte e poucos anos uma dignidade angelical. Ele é diferente! Só para que você fique ciente...O Reitor da Universidade em Madri já sabe que tudo o que você falou é a mais absurda mentira. Basta olhar o currículo do rapaz, basta olhar suas relações políticas, seu idealismo, seus amigos. Eu poderia até dizer pra você o seguinte...Miguel foi para você uma segunda chance de olhar o mundo diferente. Mas você também mais uma vez perdeu o bonde da sua história...Quando passará o próximo meu lindinho?O mais espantoso para mim ainda é pensar ou imaginar que você, Ivan, é incapaz de sequer enxergar esta realidade. Real-Idade. Real Tempo das Coisas. Há uma semana eu convidei seu anjo para tomar um uísque comigo. Ele não bebe, você sabe. Mas não resistiu e me comeu ali no nosso quarto. Talvez porque ele estivesse com muita raiva depois que soube sobre seu telefonema tentando impedi-lo de ir, talvez por conta dos detalhes que eu contei sobre nossa vida e que despertaram nele uma espécie de compaixão e admiração pelo que já vivi com você. Talvez por puro tesão juvenil! O fato é que ele queridíssimo me possuiu com furor. Mas seu corpo transpirava suavidade, carinho... Sim...Meu querido, queridíssimo...Ele tem uma pegada (não é assim que se diz?) e enquanto eu fingia que sentia alguma coisa...Ele se desdobrava  em carinhos. Quando tudo terminou ele teve um acesso de choro. Suas lágrimas convulsivas por um instante me comoveram...Estes anos todos de convivência contigo me anestesiaram tanto, me alienaram tanto de mim mesma.

Eu acho que congelei. Agora aos poucos, com muito esforço, (você não é capaz de imaginar o quanto é difícil) sinto que um vento quente há de soprar e derreter todo o iceberg. O que vai sobrar? Nem sei.Mas já escrevi demais. Por um tempo não quero mais lidar com palavras. Adeus meu caro engodo.

 

 (Continua)

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 10h30
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A Queda

Parte 4

 

A Carta de Marta

 

Querido:

Talvez você só veja esta carta amanhã, daqui alguns dias, daqui cem anos. Você está tão voltado para si mesmo. Você não vê nada além deste seu umbigo. Estou indo. E levo também comigo Pedro e Yara. Provisoriamente estarei na casa de Andréia, a única pessoa que sabe da real situação, de tudo o que vivi contigo nos últimos anos. Talvez a única pessoa com a qual eu tive coragem de dizer todas minhas verdades, além do meu terapeuta.  

De fato, estou atendendo ao seu pedido repetitivo que acontece a tantos anos.

Porque no fundo no fundo eu sempre soube que a nossa união era_ como poderia dizer? um tanto perigosa...na verdade..._ um pacto sinistro para mim e para você.

Bem antes, quando juntos cursamos a universidade, nos nossos 20 anos. Eu acho que já sabia. Mas eu o admirava tanto. Tanto... Pelas suas idéias e rompantes que em algum espaço de mim mesma eu resolvi que deveria te ajudar. Não sei se você se recorda. De início tivemos um time de pessoas absolutamente contra ao nosso casamento. Minha família inclusive. Todos diziam...”Mas como? Ele não é gay? Ou bi? Ou um sei lá o que?”

“Dia desse eu o vi em uma situação constrangedora. Acho que ele sofre de priapismo! Não consegue pensar em outra coisa senão sexo, sexo, sexo.”

“Esse rapaz tem problemas minha filha, é maluco”, dizia meu pai. Uma colega de faculdade até comentou...”Ele nem é tão inteligente assim você é bem mais que ele”. Mal eles sabiam...A mais doente, a mais doida, a mais...Talvez seja eu.

Será que era isso mesmo? Eu sempre me achei uma estranha para mim mesma. E quando nosso casamento aconteceu daquele jeito precipitado porque de repente eu estava grávida do Pedrinho eu pus na minha cabeça que faria tudo, absolutamente tudo para que ele desse certo.

Já se vão 15 anos...A idade do nosso primeiro filho...Você já notou como ele se parece com você? Ele me preocupa...Muito...Depois veio a sua súbita contratação como colaborador na emissora. Era um sonho antigo seu. Você sempre tinha idéias geniais... Sinopses maravilhosas. O problema todo era que faltava estrutura. E foi a partir daí que fui me tornando sua sombra.

Porque você esboçava os capítulos pela manhã e sumia a tarde. A emissora ligava pedindo os scripts. Você desaparecia! E eu me habituei a toda a tarde reescrever tudo e deixar tudo em ordem para o dia seguinte. Você sempre esteve tão alienado sobre tudo que acontecia a sua volta...Que raramente notava ou discutia as mudanças que às vezes eu fazia para dar mais coerência às suas tramas mirabolantes. Ainda bem que quando novamente engravidei... Ainda bem... Que foi o seu período de licença da emissora. Yara teve a sorte de nascer fora do Brasil... Enquanto eu acredito vivi (pelo menos aparentemente) um tempo mais calmo contigo. Era só fazer vista grossa para suas escapadelas ou para os garotos que você trazia para o jantar. Suspeitei que também comigo algo estava errado. Que não era natural aceitar com tanta resignação tantas situações humilhantes. No fundo, no fundo, eu deveria sentir algum prazer em ser seu capacho. Mas também sentia um outro prazer estranho porque eu TINHA CERTEZA ABSOLUTA QUE VOCÊ NÃO SOBREVEVIRIA SEM MIM.

(continua)



Escrito por MARCOS MAZZARO às 10h23
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A Queda

Parte 3

Você entende Marta? Ontem o diretor geral da emissora me pressionou o tempo todo.

Meteu na cabeça que eu tenho que enfiar os sete pecados capitais na série sobre os anjos.

 

Tudo tem uma explicação lógica meu lindinho! Tudo!

Ele deve ter muitos motivos para pressionar você...A propósito!

O Miguel também ligou! Estava eufórico!

 

Eu não agüento mais! Primeiro A Ira dos Anjos...

Agora a emissora já está anunciando... A Inveja dos Anjos!

E para a terceira temporada ele quer que eu enfoque a gula...

É ridículo! Pior que do jeito que a história pegou ele vai querer levar ao ar os sete pecados capitais

usando os mesmos personagens. Duvida?

 

De repente a palavra mágica, o nome que encanta.

O anjo dos anjos me acordou. Miguel estava retornando.

Eu sabia. Aquela briga aconteceu só por causa da

sua impulsividade que me enche de tesão.

Meu Deus! Todo mundo sabe.

Porque ela finge que não ta nem ai?

 

O que você disse querido?

 

Nada. Ele estava eufórico com o que?

 

Ah...Aquela bolsa de estudos em Madri...Saiu. Não é maravilhoso?

Acho que ele viaja semana que vem.

 

Não. Impossível. Eu cheguei a ligar para o reitor contando sobre todos os podres dele...

Quer dizer...Eu exagerei bastante para que ele não conseguisse aquela maldita bolsa.

Não... Miguel...Você não pode... Você não vai!

 

Bolsa de Estudos é?

 

Ele não comentou com você? Vamos combinar né? O Miguel é tão distraído.

Eu suspeito que ele tenha DDA.

 

DD o que?

 

DDA Ivan! Distúrbio de Déficit de Atenção...

O novo nome que inventaram para os distraídos de plantão.

Essas pessoas que vivem no mundo da lua como você... o Miguel!

 

Ele não vai para Madri! Que idéia! Assim que terminar esta temporada eu peço férias, a gente viaja...

Mando esta chata da Marta embora. Todo mundo buzina no ouvido dela, eu mesmo...

Já disse com todas as letras. Mas merda! Às vezes eu não resisto ao cheiro da boceta.

De verdade eu não consigo resistir a nada. Nem a ela, nem ao Miguel, nem a quem se postar na minha frente nu.

O mal está ai! Eu não consigo dizer não a qualquer criatura bonitinha que se insinue pra mim.

E isso se agravou depois que fiquei famoso. Eu não consigo dizer não! Dia desses foi com o entregador de pizza.

Magrelo do jeito que eu gosto. Ele chegou já se insinuando. Pediu um copo de água.

Tirou a jaqueta reclamando do calor. Só me restou cair de boca e me lambuzar.

 

Eu preciso ficar sozinho Marta! Vai dar uma volta...Compra uma pizza!

 

Pizza de novo? Você não pediu ontem?

 

É verdade. Mas vai dar uma voltinha...

Preciso ficar absolutamente sozinho entende?

Tenho que escrever o último capítulo de A Inveja dos Anjos.

 

A Ira dos Anjos querido!

 

Hoje eu não estou bem.

Pensar que na segunda temporada vão ser mais 20 capítulos.

 

É normal querido! É lógico! Você já está pensando na próxima temporada.

Vai ser um sucesso absoluto. Tudo bem! Vou visitar uma amiga...

Trago algo bem gostoso pra você. Vai sentir fome quando acabar de escrever. Eu sei. Conheço você como a palma da minha mão.

 

Enfim sozinho. Posso agora folhear o jornal. Olhar minhas anotações.

Ligar o laptop e logo fica pronto o ultimo capítulo desta merda de minissérie.

Às vezes eu me pergunto como uma pessoa tão desequilibrada consegue escrever.

Notícia absurda. A metereologia avisa da chegada de um ciclone extra-tropical ao Rio de Janeiro.

Agora temos esta novidade. Ciclones, tufões. Não era aqui no Brasil que estas pragas não aconteciam?

Eu tenho que ligar para o Miguel. Não foi o que a gente combinou.

Iríamos para Madri depois que o contrato com a emissora terminasse.

Celular desligado. Deve estar pegando um daqueles seus colegas  gostosinhos na Universidade.

Ele é como eu. Por isto gosto tanto. Ele não consegue dizer não.

 

(Continua)

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 01h20
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A Queda

Parte 2

 

Quando Ivan Capella acordou estava deitado em uma cama confortável, em um quarto de hospital, muito, muito confortável. Ao seu redor uma loura toda de branco trocava o seu soro e no canto,

sentado em uma cadeira, um homem de terno, gravata, mas extremamente carismático

fumava um charuto havaiano.

Ambos absolutamente desconhecidos.

 

O que aconteceu?

 

O senhor caiu do décimo andar de seu apartamento.

No meio daquele grande temporal que assolou a cidade há uma semana atrás...Aliás,... Vamos combinar!

Nunca vi um temporal daqueles.

 

Nem eu!

 

O mais estranho e é este o motivo do senhor estar aqui...

É que apesar de despencar do décimo primeiro andar em um edifício da Vieira Souto

o senhor não sofreu nenhum arranhão.

 

Despencar?

 

É... O senhor estava na janela. De repente!

Seu corpo caiu igual a um saco de batatas.

 

A senhora deve estar zombando de mim!

 

É mais fácil que o senhor esteja... Aliás,...Me chame de Marta.

 

Marta?

 

Sim senhor Ivan! Sou a supervisora geral nestes casos bizarros...

 

O que há de bizarro? Eu caí e pronto!

 

É o que o senhor diz. Gostei muito de seu ultimo livro. A Ira dos Anjos.

 

Obrigado!

 

E aquele senhor encostado fumando o charuto?

 

É o diretor geral. Só fala quando necessário.

 

Sei...

 

Não. O senhor não sabe.

Se soubesse não estaria aqui! Sua família já foi avisada, sua mulher, seus filhos, até o seu amante!

 

Como?

 

É...A notícia de sua morte já se espalhou pela cidade.

 

O senhor sempre teve uma vida... Digamos...Incomum!

Pronto! Seu soro já está regulado. Pressão normal.

Batimentos cardíacos espantosamente bons. Nenhum arranhão... Pode descansar!

 

Minha morte? Nunca me senti tão vivo!

 

Mas de fato! Este é o mistério! O senhor não morreu.

Mas a Comissão achou melhor dá-lo como morto, entende? Depois se for possível nós o ressuscitaremos

 

Não. Não entendo.

 

Um dia talvez o senhor entenda... A propósito... Vou deixá-lo com o diretor geral. Boa noite Ivan!

 

Ela apagou a luz. Da cama Ivan só conseguia ver a brasa do charuto daquele homem robusto

de quase dois metros que parecia não tirar os olhos dele. Mas aos poucos até aquela imagem parecia sumir...

Uma sonolência brutal tomava todo o seu corpo...

Para além daquela brasa queimando e da fumaça...

Além...Da ampla janela ele via um belo jovem encostado sorrindo e que parecia querer dizer algo.

Apesar de grogue Ivan notava nitidamente.

Ele mexia os lábios carnudos e falava palavras que ele não conseguia compreender.



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h56
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A Queda _ UM Conto Surreal Absurdo

Texto: Marcos Mazzaro

 

Não sei Nada Sei. E tenho desconfiança de quem sabe demais.

Sinto que algo vem me corroendo e ao mesmo tempo me regenerando.

Hoje acordei com ânsia de tremores.E de repente o silêncio mortal.

Na cidade do sol as nuvens abafaram o tempo.

E a sensação térmica aumentou de repente.

É bom também sentir o Inferno e sua temperatura escaldante.

Nestes dias temerários... Nos quais flanar pela cidade me faz perder os sentidos. N

estes dias intensos...Nos quais perder a cabeça e cobiçar o próximo se torna só mais um entreato,

um exercício para o bem viver...Nestes dias... A chuva caiu impiedosa. Mas só eu sabia...

Porque ela inundava as asas deles que planavam sobre o Rio de Janeiro.

E de repente, num impulso absolutamente fora de todas as leis físicas eles caíram.

Tocaram a terra com os pés e sentiram a dor do choque de seus corpos com o que é denso e concreto. 

Sentiram mais ainda. Porque as asas encharcadas de chuva ácida causavam uma coceira dos demônios.

 

Onde Estou? Quem Sou Eu? O Cruel Destino Daquele que Não Pode ser sem Não Ser.

Que só pode se encontrar se a si mesmo perder...

 

E esta legião de anjos com as asas pingando,

desnudados pela transparência de suas roupas molhadas,

se viram de repente diante do Morro Dois Irmãos.

E sentiram por um instante cada raio que despencava no mar.

De repente a cidade parou. Do Cachambi à Barra da Tijuca, passando por Botafogo e Copacabana.

Era um cair de água como nunca se havia visto.

Mas a água era tanta, tanta...Que ninguém se dignava a ir para a janela.

Ou nem poderiam imaginar sair dos carros engarrafados, alguns arrastados pela enxurrada.  

Eu conseguia vê-los da janela de meu apartamento, na Vieira Souto.

Eram centenas deles. Das mais diversas etnias, se é que podemos falar em etnias angelicais, dos mais diversos estilos, se é que podemos supor para eles um tom, um estilo.

A muvuca entre eles e o aborrecimento com a situação também era visível.

A chuva os incomodava mais na medida que fazia com que se curvassem

por causa do peso das asas que ia aumentando devido ao volume de água.

Eles na verdade pareciam inquietos. Buscavam um sentido para aquela queda brusca.

Nunca acontecera antes em toda história universal. Uma queda, digamos, tão coletiva, tão expressiva.

Era uma Legião deles. Das mais diversas hierarquias.

 

E ali assustados eles até pareciam humanos.

Por um momento tive vontade de descer, conversar com tais criaturas.

Saber afinal o que estavam fazendo ali e porque aterrissaram justamente num tempo e lugar

tão impróprios.

Mas tinha que esperar pelo menos a tempestade passar para poder fazer contato.

Mas dali da minha janela admirando a beleza surreal que se desvelava eu tinha uma dúvida...

Não sei se invejo os Anjos.

( Continua)



Escrito por MARCOS MAZZARO às 19h54
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PECADOS CAPITAIS

Crônica para um Dia de Fúria

Texto: Marcos Mazzaro

Há dias que já se anunciam assim: absolutamente furiosos e vorazes.

E fica difícil explicar para uma irmã de caridade, ou para qualquer figura

boazinha o significado e a intensidade de momentos como esse. Parece que o mundo tá cutucando você com varinha curta.  

Como no filme do mesmo nome no qual as situações do cotidiano

vão intensificando a raiva do protagonista a um ponto tal que ele perde completamente a razão.

Na verdade, é algo que ultrapassa a vontade.

Tem gente que vai explicar este surto explosivo através das efemérides astrológicas.

Um eclipse ou uma conjunção  entre os planetas Marte e Plutão fazem muitos estragos.

A Fúria ou Raiva ou Ira totalmente enquadrada e catalogada como um dos sete pecados capitais

nasce no âmago de todos.

Ela é base de muitas emoções intensas.

Por trás dela se escondem o medo, a tristeza e até mesmo o Amor.

Uma vez ouvi de uma amiga budista que quanto mais raiva,

mais potencialmente estamos capacitados para Amar.

Tem sua lógica.

O que não quer dizer que dar vazão às Fúrias, aquelas deusas punitivas bebedoras de sangue do Panteon grego,

seja uma boa solução. A Raiva pode produzir transformações.

Mas você necessita dialogar com ela.

Amansar o Tiranossauro Rex para que ele não engula você.

Quem já observou um gato furioso sabe do que estou falando.

No auge da ira ele é capaz de voar no seu pescocinho e beber seu sangue.

Mas dê para ele uma tigela de leite. Vá com calma. Você terá o mais manso e fiel dos animais.

Conheço amigos furiosos que quebram objetos quando estão atacados, outros que partem pra briga,

outros que vão para academia de musculação e malham até desmaiar,

outros que comem até a exaustão, outros ainda que só descontam a fúria potencial à noite em ataques de bruxismo.

Não!  Não Tô defendendo, nem condenando a dita cuja. Ela é!

Pode ser que num momento desses acabemos provocando mais desastres do que imaginaríamos...

Ou através dela abrimos as portas do Paraíso.

Quem nunca engrenou uma trepada memorável após uma discussão com o namorado atire a primeira pedra.

Nosso vulcãozinho é um vil cãozinho que tem sede de ser acariciado.

Mas pra isso é preciso deixar as sensações intensas fluírem.

Não adianta reprimir o Dragão.

Quando assim agimos, através da culpa, principalmente, adoecemos.

Porque é neste caudal de emoções que nos fundamos e nos tornamos capazes de dialogar com a Vida.

Uma idéia boa é homenagear a Raiva com arte.

Como dizia o velho Goethe: quando escrevemos uma poesia sobre a paixão que nos move ela já se suaviza,

encontra o seu lugar no mundo, no nosso mundo.

Somos um poço de contradições maravilhosas! Que o diga Madonna e seu menino Jesus.

Conheço muitos que cortaram os pulsos,

que tiveram ataques de fúria inconformados com a súbita ascensão do moleque brasileiro.

Mas isso é assunto para uma outra crônica.

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 13h00
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Por este Pão Pra Comer... Por este Pão Pra Dormir..

Por me Deixar Respirar... Por me Deixar Existir...

 

DEUS LHE PAGUE!

Texto: Marcos Mazzaro

Não vou me censurar. Deixarei fluir. Vou escrever o que der vontade e não seguirei nenhum pensamento lógico.

Deixo o automatismo me ditar palavras. O que penso agora... Importa?  Provavelmente Não!

Porque o fluxo seguinte vai engolir o primeiro pensamento original.

(pausa) 

Recitando mantras a gente percebe claramente.

As imagens e pensamentos numa seqüência cheia de surpresas:

o cocô do gato se mistura à gargalhada de André,

as esbaforidas de cigarro de meu amigo Paulinho,  à Julie e Cavan,

ao ar melancólico de mamãe e a  irada irmã Amélia pronta pra me atacar com um galo de São Jorge.

(pausa)

Nexus, Plexus, Amplexus... Crucificados!

Obras de Arte em Mosaico se fundem ao Vento Norte que Veio de Outro Século

E consagrou um Cruzado Sanguinário... Lá ao fundo... em uma tela de Picasso...

Putas... abrem as pernas úmidas...Aranhas Denteadas...

Prontas pra engolir o Macho.

Posso ouvir o berro da Fafá de Belém...

(Musica toca bem baixinho...)

Um cheiro de Sedução, um corpo roliço e bom...Mulher... Bonita, Gostosa, Matreira... Vai!

(pausa)

Um homem de Terno e Gravata  compenetrado.

 

Vou importar um monte de trabalhos e deixar na rua dos inválidos numero sete.

Sete vezes Sete é igual a 49.  Que é igual a 13. Que simboliza A MORTE.

Morri há cinco minutos.

 

(pausa) ( Uma trepada homérica, em off)

 

Não quero crenças premeditadas, pré-concebidas, calcificadas.

Minha fé nasce dos sucos escondidos: do suor, do sêmen, do desejo e das dúvidas.

Eu me fundo quando me amanheço inundado...

Neste instante todos os deuses estão em mim...

Minha fé desponta despudorada pronta pra se utilizar de todos os idiomas

Vivos e Mortos.

(pausa)

Hoje Acordei Repaginado...Na Alma.

E voei para Mundos Divinamente Humanos.

Abracei o Absurdo. E num desfalecimento quase-morte conversei com Defuntos.

O Absurdo é Cena. E gira feito Carrossel.

)

PAUSA

Oh... Seu Joaquim! Traz o bolinho de bacalhau e uma boa taça de Vinho!

Hoje eu vou chutar o balde!



Escrito por MARCOS MAZZARO às 22h37
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 FROM HERE TO ETERNITY

TEXTO MARCOS MAZZARO

 Hoje descobri que o melhor aprendizado do mundo ainda está por acontecer.

Aos quase 45 uma situação me surpreendeu e quase me iluminou.

Não foi além porque eu ainda não me sinto preparado.

Não foi além porque ainda existe EGO.

Quase perto de São Sebastião, comungando com Oxóssi...

Descobri...Não existem verdades plenas.

Só existem possibilidades que nós vamos descobrindo quando a Vida se desdobra.

E quando este fenômeno acontece 

nos tornamos crianças novamente.

Recobramos a autoconfiança.

Recobramos uma juventude perdida mesmo quando

o mundo sem querer (ou querendo) nos aponta o contrário.

Obrigado! Obrigado para você que pacientemente tem me mostrado o quanTo

a VIDA pode ser tão rica sem rituais, sem medos, sem raivas, sem arrogância.

Obrigado para aquele que me fez hoje romper meus medos.

E também pra aquele DESconhecido que fez

sem perceber questão de exacerbar

todas minhas inseguranças e TEMORES.

Obrigado! Por que eu sei que TUDO absolutamente é impermanente.

Que não existe homem sábio, nem religião sábia neste mundo de DEUSES e SEM DEUSES.

Mas que existe sim, sabedoria em todas as Verdades e que só os atentos_

atenção plena ok?_ são capazes de vislumbrar uma luz no fim do túnel.

Mais ainda...que o MUNDO É DOS QUE BUSCAM.

NÃO DAQUELES QUE ACHAM QUE ENCONTRARAM.

Obrigado sim! Porque este mundo é feito de fogo, terra, ar e água.

De riquezas infinitas, de deuses inomináveis em tantas Culturas.

Da África ao Tibet, passando pelas sabedorias construídas na pós pseudo modernidade.

Quem vai ousar me apontar o que É CERTO OU ERRADO?

Pois estes MUNDOS aceitem ou não é feito de inovadores,

de transgressores, de ordinary persons, de gente que caga, fode, goza e sente dor.

Hoje mais do que nunca aprendi que meu ar condicionado no Verão é maravilhoso.

Que pequenas felicidades me preenchem.

Que TODOS voam...

mas POUCOS apreciam a paisagem, saboreiam este mundo suculento,

respiram e degustam da VIDA.Hoje...

Quero descansar sobre mim mesmo e humildemente abraçar minhas dores,

alegrias e pretensões sem ansiar curar todas as feridas.

Hoje, plenamente descobri que o que sei nada significa...mas sim ACRESCENTA.

Hoje, esperneiem ou não...dei um passo ALÉM.  E  AGRADEÇO.

 

RECADO PARA OS DONOS DE VERDADES...

(RECEBI DE UMA AMIGA BUDISTA...

A PARTIR DAQUI NÃO É DE MINHA AUTORIA )

"ANDE PLACIDAMENTE ENTRE O BARULHO E A PRESSA E

LEMBRE-SE QUE A PAZ PODE EXISTIR NO SILÊNCIO.

 

MANTENHA-SE EM BONS TERMOS COM TODAS AS PESSOAS,

TANTO QUANTO POSSÍVEL, SEM RENDER-SE.DIGA A SUA VERDADE

TRANQÜILA E CALMAMENTE,

OUÇA OS OUTROS, MESMO OS OBTUSOS E IGNORANTES,

ELES TBM, TEM A SUA HISTÓRIA.

EVITE PESSOAS RUIDOSAS E AGRESSIVAS SEM VEXAÇÕES AO ESPÍRITO.

QUANDO SE COMPARAR COM OUTROS PODERÁ SE TORNAR VAIDOSO E AMARGO,

POIS SEMPRE HAVERÁ PESSOAS MAIORES E MENORES QUE VC.

DESFRUTE DAS SUAS REALIZAÇÕES COMO TAMBÉM DOS SEUS PLANOS.

MANTENHA-SE INTERESSADO NA SUA PRÓPRIA CARREIRA POR HUMILDE QUE SEJA;

É UMA VERDADEIRA POSSE NAS MUTAÇÕES DO DESTINO.

SEJA PRUDENTE NOS SEUS NEGÓCIOS, POIS O MUNDO ESTÁ CHEIO DE TROPEÇOS.

MAS NÃO DEIXE ISSO TORNAR LO CEGO A VIRTUDE;

MUITAS PESSOAS LUTAM POR ALTOS IDEAIS E EM TODA PARTE

A VIDA ESTÁ CHEIA DE HEROÍSMO.

SEJA VOCÊ MESMO. E SOBRETUDO NÃO FINJA AFEIÇÃO, E NEM REJEITE SENTIMENTO.

TAMBÉM NÃO SEJA CÍNICO À RESPEITO DO AMOR,

POIS ACIMA DE

TODA ARIDEZ E DESENCANTO ELE É TÃO PERENE COMO A RELVA E

LINDO COMO OS LÍRIOS DO CAMPO.

RECOLHA MANSAMENTE O CONSELHO DOS ANOS,

RENUNCIANDO GRACIOSAMENTE AS COISAS DA JUVENTUDE.

NUTRA SUA FORÇA ESPIRITUAL PARA QUE O PROTEJA NA DESGRAÇA REPENTINA.

PORÉM NÃO SE AFLIJA COM COISAS IMAGINÁRIAS;

MUITOS TEMORES NASCEM DA FADIGA E DA SOLIDÃO.

JUNTO A UMA DISCIPLINA SAUDÁVEL,

SEJA GENTIL PARA CONSIGO MESMO.

VOCÊ É UMA CRIATURA DO UNIVERSO,

NÃO MENOS QUE AS ÁRVORES E AS ESTRELAS.

VOCÊ TEM O DIREITO DE ESTAR AQUI, E SEJA EVIDENTE OU NÃO PARA VOCÊ,

O UNIVERSO SEM DÚVIDA SE DESENVOLVE COMO DEVE PORTANTO,

ESTEJA EM PAZ COM DEUS EM QUAISQUER QUE SEJAM

SEUS TRABALHOS E ASPIRAÇÕES,

MANTENHA-SE EM PAZ COM SUA ALMA;

APESAR DE TODOS OS SEUS SOFRIMENTOS, SONHOS DESFEITOS,

IDEAIS MODIFICADOS, ESTE CONTINUA SENDO UM MUNDO BONITO.

 

TOME CUIDADO, ESFORCE-SE PAR SER FELIZ!!!



Escrito por MARCOS MAZZARO às 04h41
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QUE VENHA 2009...

2009 vai nos ensinar que... Somos todos anjos de uma só asa.

E só podemos alçar voo abraçados a outro.

Assim juntos nos tornamos completos.

E talvez estejamos preparados para desbravar outros mundos.

Para Voar... Um conselho...

QUE ESCOLHAMOS COM TERNURA... COM CARINHO... COM SENTIMENTOS PROFUNDOS...

QUE NUNCA SE PERCA O ROMANCE

E O TESÃO...

E   E O ANIMO DE CONTINUAR...

LUTANDO...

MAIS DO QUE NUNCA NECESSITAREMOS DE MITOS...

QUEM SABE ASSIM... APRENDEMOS SALTAR...

RUMO AO DESCONHECIDO...



Escrito por MARCOS MAZZARO às 02h38
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O Atraso da Primavera

Texto Marcos Mazzaro

 

Quando cai a chuva e os trovões gritam um após o outro algo nele se conecta com Deus.

Tal força presente no cair das águas, nos ruídos das folhas balançando, no vento que parece querer lhe levar para algum lugar desconhecido...

Nesse momento ele se sente como se a ausência o tomasse num repente

e lhe conduzisse ao Paraíso. Mas todos sentimentos se esvaem em um segundo.

Uma vez Ele acordou na madrugada e viu da janela... Choviam pétalas de rosas do céu.

Um cheiro adocicado no ar parecia impregnar todos os corpos.

 

Outras noites foram despertadas por navalhas abertas e afiadas...

Prontas para penetrar.

No Vazio.

 

Há qualquer coisa de Morte que traz o Gozo.

E é neste subsolo, silencioso de mim mesmo, que me deixo Sonhar para poder Renascer.

 Em um destes devaneios fui acordado pelo estrondo da Guerra.

De uma hora para a outra alguém anunciou o fim do planeta.

 

Mas...Em algum lugar sinto AINDA que Tudo Pode Ressurgir.

 

Neste dia uma criança salvou um bicho abandonado na rua e o levou para sua casa.

A mãe ralhou, resmungando o absurdo da cena.

Mas no fundo o coração pedia para ela cuidar daquele ser frágil, arrepiado de frio.

Os animais embrulhados em uma caixa de sapatos forrada com uns panos velhos suspiraram.

Sentiam-se finalmente protegidos.

 

Neste instante uma lufada de gratidão em direção ao mar percorreu os cômodos daquele quarto e sala.

E o silêncio reverberou.

Pulsando na ternura.

 Descobri um pós-transcendente. Um Pós que lava o corpo e a alma.

Uma Ave Rara.

 

A arejada Primavera de meios tons (harmônica) chegou acanhada.

Estava atrasada para abençoar com um leve sorriso os Amantes da Vida!

 

 

 

 



Escrito por MARCOS MAZZARO às 14h10
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Tributo ao Subsolo

Parte II

 

O Vazio do Pós Pois...

 

Desde a infância eu implicava com a palavra o prefixo Pós. Bueno...

Já era um cara por natureza ranzinza, mas se me insinuassem algo pós alguma coisa ficava bem amuado.

Pense bem. Não tem nada mais incômodo do que um pós-almoço.

Saciados queremos mais é dormir, descansar e que ninguém nos encha o saquinho.

Pós-brincadeira, então... Nossa!  

Fica aquela vontade de repetir, de novamente derrubar o adversário no mato e sentir o poder exalando no suor escorrendo, fundindo,

dominando e dizendo... Você está morto, eu venci!

 

Logo após o jogo vem sempre o vazio. Derrotado ou vencedor, o jogador na roleta sente o chão se abrir quando vem o resultado final.

Só lhe resta jogar novamente, pra perder ou pra ganhar. Pois o que importa é o gozo do resultado.

E não aquela sensação mórbida que o invade após o giro da roda da sorte.

 

O Pós é uma merda mesmo. Mesmo que a foda tenha sido maravilhosa. O Pós sempre deixa um gosto de quero mais.

Na verdade quando algo é muito bom à gente quer repetir, né não? Até quando algo é muito ruim o pós consegue se superar.

Quer algo mais chato que uma pós cirurgia? A maldita recuperação leva tempo. O Pós não tem anestesia pra segurar a onda.

Então baby...  Resta relaxar e gozar na dor. Dependendo da área operada vai provocar choros convulsivos durante alguns dias.

 

Mas nem sei porque digo tais idiotices. Ah Sim! Tava falando do homem pós pois.

Esse serzinho contemporâneo que se compraz de se enfiar na merda todos os dias. Pois pós eu afirmo.

Citando o genial David Lynch...

Este é um mundo estranho...That I Was Crying Over You....

Mergulho no universo da Cidade dos Sonhos e me preencho de melancolia quando lembro das duas atrizes

naquele teatro decadente e da música que não cessa mesmo quando a cantora cai e é carregada.

Aquele microfone solitário com o som tocando ao fundo é a perfeita imagem do que sentimos neste mundo absurdo bombardeado...Sempre.

 

Não dá pra deixar de pensar no velho Freud, um homem do subsolo sem dúvida.

Ele elaborou dentro da psicanálise uma espécie de comportamento pós.  O homem secundário...

Aquele que tem uma estrutura psíquica que sente e reage sempre no momento pós.

Ele guarda para si o seu tesouro, a sua dor e suas alegrias mais marcantes.

Só consegue expressar as sensações tempos depois. O homem pós é um ruminante por natureza.

E por isto até seja um bicho mais interessante neste mundo imediato que nos oferece o gozo instantâneo e rápido.

Tenho sensações esquisitas todos os dias e de segundo em segundo mudo de humor. Observo tudo à distância.

E na hora de agir calculo cada passo dado. Geralmente me fodo. Ou fodo os outros. Vamos parar de moralismos?

Dois palavrões em uma frase não são dignos de um homem que tem o seu vocabulário!

Ouvi tal pérola dia desses quando aos berros mandei um gerente literalmente tomar no cu um cem número de vezes seguidas.

Acho que ele gostou da idéia porque depois se plantou na porta do meu prédio.

Mirava a janela, implorando para que eu cumprisse minhas palavras.

Como o pós é sempre medíocre permiti que ele sentisse meu corpo adentrar o seu vazio para mais uma vez humilhá-lo.

Mas me frustrei. Encontrei mais uma vez alguém que se compraz na própria derrota.  

Esta talvez seja a maior dor de um homem lúcido. Ele prevê as reações alheias. Tudo vira um exercício de tédio.

E a gente descobre que até o triunfo deixa o Vazio.

 

Na verdade, o vácuo é a chave da questão. Ele provoca vertigens e no fundo, no fundo,

lá no fundo do subsolo,  tenho que me segurar para não pular e mergulhar como criança deslumbrada.

Quando olho para o abismo sinto num mesmo instante vergonha e êxtase.

O X da questão é que todas as sensações humanas brotam juntas quando realmente...Vivemos.

 

Neste mundo pós alguma coisa não há tempo para decupar ou assimilar a imensidão delas.

Mesmo que fosse o melhor editor de imagens sempre teria a sensação de estar deixando algo fundamental de fora.

(Assim, um dia um colega descreveu seu trabalho criativo. Assim ouvi de diretores de teatro, de atores, de diretores de imagens em televisão.

Há sempre a insaciedade latente pronta pra  me abocanhar no próximo passo, na encolha, no silêncio último que faço antes de dormir).

Talvez a Arte...Não esta que está nas prateleiras...Mas Aquela que reinando na transgressão produz estranhamento contínuo

E me renova no corpo e na língua.

Ela que me acorda todos os dias e me cutuca com um alfinete no peito e me joga contra a parede.E me instiga.

Só Ela poderá me Salvar.

Ela_ muitas_ desdobrada, paradoxal, de mil faces.

Ela: visual, escrita, trans muita coisa, pós algumas coisas, multimídia talvez, pobre, desdentada e também corrigida pelo Photoshop.

Elas geram neste mundo Pós pois um redemoinho saudável, vital, que me joga no Acaso.

 

Hoje visitei com crueldade a mim mesmo e todos os meus atos.

Hoje mergulhei em cada sensação pós e senti que me afogava por não ter ar.

Hoje vislumbrei por um segundo o rastro da eternidade.

Mas ele fugiu e tive que aceitar a monotonia dos tempos, dos tic tacs e dos alarmes que nunca vão parar de tocar.

Hoje visitei um dos níveis do meu subsolo e lá, em algum lugar,

tudo o que  mais desejava era que alguém me provasse que todas as minhas teses

sobre o ser humano e sua pequenez estavam equivocadas.

Mas quanto mais eu conheço os Homens...Mais eu amo os Animais.

 

Ou o que ainda há de Animal... No Homem Pós...



Escrito por MARCOS MAZZARO às 09h50
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Tributo ao Subsolo

Parte I

Texto Marcos Mazzaro

 

Sou um homem comum. Sou um homem malvado. Sou desagradável. Acho que sofro de muitas doenças contemporâneas.

Sou um homem solitário e egoísta. Mas vejam bem meus amigos, hoje quando sentei em frente a esta tela de computador descobri.

Não... não é uma bomba... é só um traque, um estalinho! Descobri que nós todos estamos sofrendo deste mal pós alguma coisa.

Esse Pós Ser me inquieta e nos pulveriza. Descobri que apesar de toda minha soberba as vezes eu mais me pareço com um carneiro pronto para o sacrifício.

E não me importo. Que venha o que tiver que vir...Coisa estranha... Descubro agora num insight que sempre fui assim...

Que toda esta loucura só estava latejando, pronta pra explodir.

Devo dizer... acho que desde antes de meu nascimento eu fui do contra.

Já nasci fazendo estardalhaço, apressando os tempos e deixando os que estavam a minha volta bem agitados.

Uma criança de sete meses, com um quilo e quatrocentos gramas com pneumonia dupla e infecção na garganta jamais poderia sobreviver.

Mas eis que surpreendi a medicina. E estou aqui, com mais de quarenta e ainda pulsando. Em mim pululam estranhas sensações.

Hoje, caro leitor, acordei a flor da pele. E se tivesse uma bomba talvez eu mesma a vestisse, como esses homens que fazem bum!

E Bam! Bam! Plaft! Seriam subsolos escavados por milênios jogados por todos os lados, como um big bang. Mas devo dizer também.

Toda esta consciência da Vida, toda esta lucidez absurda que me ultrapassa me impede de consumar o ato.

Algo em mim, indecifrável, ainda grita por Vida...Como diria um amigo meu em uma carta há séculos atrás... a vitalidade de um gato!

Pois que seja! Então que tudo continue como está e vamos levando empurrando o destino com a pélvis.

*

Dias desses conversando com um amigo pela Internet percebi com uma clareza imensa que estamos nos tornando corpos virtuais.

Já não nos olhamos face to face. Já não nos cumprimentamos com vitalidade e prazer.

Já não nos sorrimos nem tampouco escancaramos o choro melodramático.

O corpo do outro é só uma imagem plasmada, cada vez mais definida em micro telas, pronta para correr o mundo e saciar quem estiver on-line.

Perdemos algo de palpável. E algo parece sinalizar que não tem volta.

Como seres virtuais nós nos alimentamos de imagens, de texturas fakes, de sorrisos enigmáticos, de outdoors, de estardalhaços e também de

crimes e crimes.

 Nós contemporâneos temos tudo na mão, num passe de mágica podemos fazer surgir à lâmpada de Aladim e realizar todos os nossos desejos.

Mas ai que está a grande contradição.

Mesmo tendo toda esta parafernália na ponta de um mouse ou no fio magnético de um cartão de crédito nós consumistas de nós mesmos sentimos

a avidez e insatisfação borbulhar lá nos nossos cantos obscuros.

#

O Canto Obscuro é aquele buraco negro que nos fundou um dia. Imagine caro leitor que você impregnado de imagens, extremamente saciado, satisfeito da vida, arrotando salmão ou Velv Cliquot de repente olhasse pra fora de sua vitrine e visse uma criança chorando em um ônibus berrando que foi roubada.

Imagine que você saciado contemplasse separado por um vidro este menino de 8 anos aos berros, de chinelo de dedo e

quase desnudado e que percebesse nele todas as chagas impingidas pelos homens que como você o roubaram, o tripudiaram e o jogaram na sarjeta.

 

Haverá um momento que mesmo protegido por este vidro fume você poderá se perguntar a razão daquela pessoa, teoricamente tão humana quanto você, passar por todo aquele sofrimento. Isso assistimos todos os dias, seja protegidos pela nossa vitrine, seja por um noticiário em tela de plasma.

No entanto algo em nós por um instante se sensibiliza. Sim. Por algum motivo em um momento qualquer você sentirá piedade desta criatura.

Mas em seguida entra pelos seus olhos outra imagem contrastante. Pode ser até um anuncio do seu vinho favorito ou de sabão em pó ou de qualquer um desses produtos que supomos imprescindíveis. Pois bem. Em menos de um segundo aquele menino esquálido cheio de chagas irá sumir de sua vista.

E uma sensação boa o inundará. Pode ser que você tenha vontade de assaltar a geladeira e comer aquele bolo adocicado da Bauducco de Cenoura com Chocolate... Ou que você pense. Não! O que há? Não posso consertar o mundo.

E não estou também lhe recriminando meu caro leitor. Vamos combinar... Eu sou tão filho da puta quanto você que está lendo estas linhas.

Somos todos vampirinhos de alguma coisa até o dia em que tudo explodir e nada existir além desta existência medíocre a qual o HOMEM CONTEMPORÂNEO está condenado.

Mas então você dirá... Iradíssimo com as mãos nas cadeiras,...Já que estou jogando titica  no ventilador... Aponte-me uma saída! Há! Há! Há! Eu vou lhe dizer...Talvez não haja por onde escapar. Porque estamos perto de 2012 e como disse um de meus amigos de outro mundo, a merda vai ficar mais rala ainda. Quer dizer! Se você está bem, vai ficar mal pelo que vai assistir e se você já está mal... Bueno... Que tal meditar?

#

Esta parabolazinha ridícula que acabei de explanar foi exatamente por não ter o que falar. Não me engano. Acho que estamos condenados a ultrapassar muito além das teses apocalípticas. Não acredito em nada disso que acabei de descrever. E sou contemporâneo por este motivo mesmo. Não quero respostas, não tenho respostas e acho que alguém dizer que as tem é motivo de suspeita. Portanto, se você conseguiu ler até agora todas estas baboseiras que escrevi é porque em algum lugar existe em você um pouco desta minha lucidez exacerbada que dói nas vísceras. Se você não conseguiu é porque o incomodei com minhas idiotices. Se você leu a sério o que eu escrevi deve estar com algum problema psíquico sério. (Pelo menos aqueles que a moderna trans psicanálise acha que consegue dar nome)

#

Mas continuemos...A tela fria do PC como disse é nosso ponto cego. Ela desvenda o mundo para nós.  What a Wonderfull World !

Se algum idiota que leu este blog aqui achar que estou protestando contra a tecnologia... Tá enganado... eu só to tecendo alguns comentários caóticos venenosos e adocicados para desopilar o fígado. Só isso. Portanto... continuo em breve...

Aguardem... O Renascimento do Homem Pós Pois...



Escrito por MARCOS MAZZARO às 23h59
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